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Material utilizado é o papel cartão reciclável, onde não ocorre nas embalagens o mínimo vazamento de molho e temperatura do alimento é mantido



Por Valerio Fabris

Uma indústria de Garulhos (SP), que começou a funcionar há um ano e meio, projetou-se como a primeira e até agora a única no Brasil a produzir embalagens para delivery, feitas com papel cartão reciclável, sem utilizar plástico, isopor e alumínio. No portfólio dos clientes da empresa estão 150 marcas do setor da alimentação fora do lar, entre elas Marakuthai (de Renata Vanzetto); Mocotó (de Rodrigo Oliveira); Rubaiyat; Restaurante Manioca (de Helena Rizzo); L’Entrecôte d’Olivier (de Olivier Anquier); e Le Manjue (de Roberto Caleffi).

A Scuadra Embalagens surgiu, como diz o seu proprietário e diretor, Luiz Silveira, exclusivamente para atuar em delivery (entrega em domicílio), que “ainda nem começou no Brasil e tem um potencial gigantesco, não podendo de forma alguma ser tratado como um puxadinho do setor da alimentação fora do lar”. De acordo com Gean Rocha, responsável pelo setor de compras do Mocotó Bar e Restaurante, as embalagens da Scuadra são feitas a partir do papel virgem cartonado, sobre o qual é estampada a marca do estabelecimento.

“Não ocorre nas embalagens o mínimo vazamento de molho. Mantêm-se nelas a temperatura. Têm muita firmeza. Podem ser diretamente levadas ao forno e ao micro-ondas, e foram pensadas na sustentabilidade, pois o nosso planeta está ambientalmente descontrolado. A Scuadra é uma empresa especial, fantástica, perfeita para que em suas embalagens a gente imprima a marca Mocotó, que é reconhecida pelo seu elevado valor social”, disse Rocha.

O papel cartonado da Scuadra é comprado da Klabin, Ibema e da companhia Suzano. A partir dessa matéria prima são produzidos, como informa Luiz Silveira, mais de 200 modelos de embalagens, que recebem na sua parte externa uma fina camada de 3% de polietileno, formando-se uma impermeabilização, com vistas a se impedir vazamento. “Isso, comparado aos 100% de plástico, isopor e alumínio que dia e noite se jogam na natureza é absolutamente mínimo.
Mas, daqui a pouco, vamos lançar a versão cem por cento biocompostável e biodegradável”. Desenvolveu-se na empresa a máquina de vedação das embalagens, a vapor, em que se dispensa o uso de cola ou de qualquer outro material que possa contaminar os alimentos. Essas máquinas – patenteadas pela Scuadra – são disponibilizadas aos clientes, para que as utilizem em seus estabelecimentos, no regime de comodato. Quando diz que tem 150 marcas no seu portfólio de clientes, Luiz Silveira explica que não sabe exatamente o número de lojas que elas representam.

“Atendemos redes inteiras. Por exemplo, a marca Baked Potato tem 50 lojas, e não as computo nas minhas estatísticas”. Estas são algumas da marcas constantes do rol de clientes: Páprica Burger, Thanks Burger, Burger Art, Maktub (especialidade árabe), The Poke Bowl (cozinha havaiana), Tometo Massas, Kaisho (comida japonesa), Sushi Factory, Palati (vegetariano), La Macca (cardápio italiano), Fitó Cozinha (menu brasileiro de inspiração nordestina). Atende ainda o segmento de sorveterias. “Nós não trabalhamos com embalagens para pizza. Estudei esse segmento e vi que o mercado de embalagens de papelão estava por demais canibalizado. Daí desistimos, porque não podíamos imprimir nele a nossa qualidade, da qual não abrimos mão”.

O proprietário da Scuadra viajou a diversos países para estudar a fundo o mercado de delivery, entre eles os Estados Unidos, a França, a Suíça, a Argentina e o Chile. “Constato, cada vez com maior convicção, pelo tanto que estudei o assunto e por tudo o que estou fazendo, que a fronteira de expansão do delivery no Brasil é descomunal. O crescimento não é uma tendência. É uma realidade”.

*Matéria originalmente publicada na edição 127 da revista Bares & Restaraurantes

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