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Reflexos do Covid-19

Cenário atual e perspectivas do setor de bares e restaurantes

A Abrasel São Paulo apresenta os resultados da pesquisa realizada entre seus associados no período 05/06 a 12/06/2020. Participaram cerca de 105 empresários, que possuem em média três estabelecimentos, totalizando cerca de 300 bares/restaurantes localizados na cidade de São Paulo.

A pesquisa atualiza informações e ações de sobrevivência adotadas pelos empresários, no que se refere a reabertura, financiamentos do governo, utilização de benefícios trabalhistas e demissões, negociação de aluguéis, delivery, entre outros tópicos.

Resumo:

Prioridade: aprovação da MP 936 (65,5%).

Reabertura: cautelosos, a maioria prefere abertura gradativamente, junto com o comércio (57,5%).

Financiamentos do governo: 11,9% dos associados conseguiram algum dos financiamentos anunciados pelo governo.

Contrato de trabalho: 83,3% dos estabelecimentos utilizaram a suspensão do contrato de trabalho.

Demissões: 57,1% demitiram funcionários.

Porta fechadas: os empresários avaliaram que 40% dos estabelecimentos deverão encerrar as atividades em definitivo.

Aluguéis: 67% conseguiram negociar redução.

Delivery: 73,5% estão trabalhando com entregas. Desses 80% estão insatisfeitos com o atendimento dos aplicativos. iFood é o campeão de reclamações.

Enel (distribuidora de energia): 66,7% estão sendo cobrados pela média de consumo de energia elétrica, anterior a pandemia.

Pesquisa

Importante: parte das questões possibilitaram múltipla escolha de respostas, incluindo outros assuntos relacionados, com isso, alguns tópicos não se enquadram no cálculo único de 100%.

1- Assuntos que mais preocupam e que devem ser prioridades na atuação da Abrasel

- 65,5% indicam a importância de esforço para aprovação da MP 936 que permite nova suspensão de contrato de trabalho e redução de jornada,

- 45,2% julgam necessária a obtenção de financiamentos a juros reduzidos,

- 1,2% apontam lutar contra a conduta dos aplicativos de entrega, com menções ao iFood.

2- Reabertura dos estabelecimentos

  • 57,5% mostraram-se cautelosos e preferem pressionar para abertura mais gradual e segura,
  • 25,9% concordam em não pressionar e esperar pela decisão das autoridades e/ou aguardar o arrefecimento da pandemia com a diminuição do risco de contágio e com clientes mais seguros para frequentar os estabelecimentos, e
  • 19% desejam a abertura imediata.

· Expectativa

  • 70,2% estão preparados para a reabertura e 26,2% ainda não, sendo que dentre esses, 13,1% justificam o risco de não haver clientes, pelo receio de contaminação.

3- Acesso aos financiamentos do governo

- 11,9% tentaram e conseguiram um dos financiamentos anunciados pelo governo, sendo o Programa Estímulo 2020, o mais mencionado,

- 14,3% dos associados dividiram-se entre os que ainda não obtiveram resposta do governo ou aguardam resposta de bancos particulares,

- 20,2% conseguiram, mas a juros maiores do que os anunciados,

- 28% não tentaram receber (parte por saber que os demais não tiveram sucesso), e

- 31% tentaram, mas não conseguiram nenhum financiamento.

4- Contrato de trabalho, fórmulas escolhidas pelos empresários para manter equipes e reduzir demissões

Dividido por tópicos individuais:

- Suspensão: 83,3%

- Redução de jornada / salário: 45,2%

- Férias coletivas: 33,3%

5 - Percentual de demissões nos estabelecimentos

- 57,1% afirmaram ter demitido funcionários, sendo que expressiva parcela demitiu entre 30% a 50% da equipe,

- 39,3% mantiveram toda a equipe, e

- 6% dispensaram quem estava em período de experiência ou outros tipos de contratos.

6 - Reflexos da pandemia até junho/julho e recessão econômica até o fim de 2020

- 92,9% acreditam que com a continuidade da pandemia, haverá recessão até o final do ano, e 40% dos estabelecimentos do setor de bares e restaurantes fecharão as portas em definitivo.

7 - Aluguéis

- 67% conseguiram negociar redução,

- 25% conseguiu adiar parte do aluguel para pagar em meses posteriores,

- 13% não conseguiu apesar de tentar; e

- 3,6% não tentou nenhuma negociação.

8- Delivery

- 73,5% trabalham com a opção de delivery, e

- 26,5% não trabalham.

· Dos que trabalham com delivery

  • 86,2% utilizam em sua maioria o iFood, seguido pelo Rappi e UberEats. Desses, 70,7% disseram que a taxa cobrada pelos aplicativos por todas as etapas, gira em torno de 15% a 30%. Sobre a taxa cobrada apenas para a entrega, 32,8% disseram pagar em torno de R$ 10,00.

· Reclamações

- 80% reclamam das taxas abusivas e da retirada de muitos estabelecimentos do sistema de entrega / delivery ( principalmente iFood) em horários de grande movimento, impedindo o cliente de efetuar o pedido. Problema enfrentado nos Dias dos Namorados e Mães, prejudicando de forma expressiva o faturamento. Entre outras reclamações quanto a deficiência no suporte online e problemas com os entregadores.

9- Enel (distribuidora de energia)

- 66,7% afirmam que estão sendo cobrados pela média de consumo de energia elétrica dos meses anteriores a pandemia,

- 28% por meio do envio de autoleitura por aplicativo, e

- 11,8% sofreram algum tipo de abuso, como: juros abusivos, protesto sem aviso prévio e prazo curto para informar o consumo.

ABRASEL SP – Associação Brasileira de Bares e Restaurante de São Paulo

Porta-voz: Percival Maricato – Presidente.

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