sp.abra

Pessoas caminham por tradicional rua de comércio popular em São Paulo - Amanda Perobelli

Pessoas caminham por tradicional rua de comércio popular em São Paulo - Imagem: Amanda Perobelli

Alex Tajra e Felipe Pereira - Do UOL, em São Paulo

25/06/2020 04h00

A prefeitura da capital paulista está confiante no avanço da cidade da fase laranja (controle) para a fase amarela (flexibilização) no Plano São Paulo, o programa de reabertura dos setores econômicos do governo do estado. A confirmação da expectativa permitiria a reabertura com restrições de bares e restaurantes.

A decisão será tomada em um parecer a ser definido nesta tarde por um comitê de saúde do estado, quando serão analisados cinco parâmetros de combate à covid-19. O UOL conversou com setores da prefeitura envolvidos no enfrentamento à pandemia na prefeitura e retomada das atividades econômicas e ouviu relatos otimistas.

Haverá inclusive uma reunião da comissão municipal de saúde com entidades representantes de bares e restaurantes, fechados há mais de três meses por conta da quarentena.

A sinalização de que a capital espera avançar à fase amarela foi dada pelo próprio prefeito, Bruno Covas (PSDB), em transmissão ao vivo ontem quando aventou a possibilidade de que os estabelecimentos voltem a funcionar já na segunda-feira (29).

"Agora, sexta-feira, o governo do estado deve apresentar uma nova reclassificação das regiões e da cidade de São Paulo. A nossa expectativa é que a cidade de São Paulo, agora com essa reclassificação, entre na fase 3, na fase amarela, o que permite a reabertura por seis horas por dia dos restaurantes aqui na cidade de São Paulo.(...) A expectativa é, com essa reclassificação, a partir de segunda-feira, eles possam retomar atividade", disse Covas em uma transmissão do Itaú BBA.

Ao UOL integrantes da prefeitura também afirmaram que as declarações de Covas sobre bares e restaurantes refletem os bons indicadores que a cidade tem em relação à covid-19. O avanço à fase amarela se dá por conta da estabilidade dos indicadores desde o dia 1º de junho, dizem as fontes.

A data é considerada importante porque marcou o início da flexibilização da quarentena no estado. Havia uma preocupação na administração da capital com um possível repique de casos, mas isto não ocorreu.

A previsão é que isso também não ocorra com a liberação de bares e restaurantes. Integrantes da gestão argumentam que o impacto no contágio com a liberação do setor vai ser menor do que com a reabertura do comércio, decretada há cerca de três semanas.

Outro motivo é que os protocolos de retomada já foram testados, e não seria algo inédito permitir que um estabelecimento volte a funcionar. A avaliação da prefeitura é de que, mesmo com a possibilidade de ir às ruas, muitas pessoas estão evitando ambientes fechados.

Presidente em São Paulo da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Percival Maricato disse que já houve várias reuniões com vereadores e também secretários da Prefeitura de São Paulo. Ele afirmou que pelos contatos mantidos até agora, a sinalização é que serão adotadas as regras da Anvisa. Esta indicação é considera positiva porque economizaria tempo discutindo protocolos.

A movimentação pela reabertura vem em uma semana onde o estado registrou recorde de mortes pela covid-19, com 434 mortes registradas ontem. Já na capital, uma pesquisa epidemiológica feita pela prefeitura estima que 1,16 milhão de pessoas já foram infectadas pelo novo coronavírus.

Oficialmente, até 21 de junho, São Paulo tinha confirmado 118.708 casos de coronavírus. Incluindo pacientes suspeitos, o número sobe para 246.892. Em relação às vítimas, são mais de 11 mil, contando casos confirmados e suspeitos.

Os critérios avaliados para definir a fase de uma cidade no plano de reabertura do governo do estado são a taxa de ocupação de leitos de UTI de covid-19, leitos de covid-19 por 100 mil habitantes, variação de casos, variação de internação e variação de mortes. Na atualização da última sexta-feira (19), a cidade tinha somente o requisito "variação de internações" na fase laranja, as demais permitiam avançar para a fase amarela.

Protocolos e demandas

Os protocolos de funcionamento das entidades de bares e restaurantes já foram entregues e estão sendo analisados pela Comissão de Saúde.

O comércio de rua e os shoppings esperaram quase duas semanas para poder reabrir, mas com bares e restaurantes a previsão é de que o tempo seja menor, apurou o UOL. A explicação é que os protocolos já estão em fase avançada de análise.

A Abrasel foi uma das instituições que apresentou uma proposta de protocolo para a prefeitura. Entre as orientações constam redução na quantidade de mesas e cadeiras, manter o espaçamento de um metro entre cadeiras e dois metros entre mesas, e "investigar a saúde" dos funcionários para saber se houve algum contato com a covid-19. A Abrasel também propôs:

  • Disponibilizar máscaras, protetores faciais, luvas descartáveis e álcool em gel aos funcionários;
  • Manter uma pessoa na entrada do local para verificar o uso de máscaras e tirar a temperatura;
  • Privilegiar atendimento mediante reservas e reforçar o atendimento digital;
  • Luvas descartáveis em restaurantes 'self-service';
  • Presença de clientes dentro do bar somente sentados, mantendo o distanciamento de 2 metros entre mesas e 1 metro entre cadeiras, sendo vedada a interação de clientes em pé. "Música só deve ser utilizada, mediante a não interação do público." [pela proposta do governo do estado, só seriam permitidas mesas a céu aberto].

Em outro documento, assinado pela Abrasel e por outras instituições representantes do setor, como a ANR (Associação Nacional dos Restaurantes) e a Fehoresp (Federação de Hoteis, Restaurantes e Bares de SP), as entidades pedem para que a restrição "a céu aberto" seja suprimida, afirmando que esse critério "inviabiliza 98% das operações".

As representantes também pedem uma alteração no horário de funcionamento. Pela norma do governo do estado, na fase amarela os bares e restaurantes poderiam funcionar por seis horas consecutivas, limitados a 40% de sua ocupação total. O setor, no entanto, que ter a opção de poder funcionar em dois turnos de quatro horas (almoço e jantar).

"O ato da alimentação do trabalhador/cliente, descontada a permanência, é de cerca de 15 a 20 minutos e o distanciamento nesse período, uma vez que a máscara não será usada, deve ser rigorosamente observado. Assim, adotaremos distanciamento entre mesas de 1,5m, e de 1 metro entre cadeiras, ou seja, o suficiente para manter elevado nível de segurança, sem a máscara, por breve período. Após o ato da alimentação, o uso da máscara é recomendável e fora da mesa, obrigatório", diz o texto que elenca as demandas do setor.

Outro lado

Em nota, a Prefeitura afirmou que "a capital está classificada na fase laranja, que veda o funcionamento desses setores. A partir de reclassificação da cidade de São Paulo pelo Governo do Estado para a fase amarela, quando ocorrer, os protocolos para os novos setores liberados serão analisados cuidadosamente pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e pela Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), da Secretaria Municipal de Saúde, como ocorreu nas liberações da fase laranja."

O governo do estado foi procurado pela reportagem, mas não respondeu aos questionamentos até a publicação deste texto. Sua posição, se enviada, será acrescentada à reportagem.

Fonte: UOL

Comentários