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Liderado pela Abrasel, padrão de documentação aberto vai reunir bares e restaurantes e fornecedores do setor e deve entrar em operação em outubro deste ano

Créditos: Freepik

O primeiro padrão de documentação aberto de “delivery” do país, projeto que começou a ser debatido em meados do ano passado, deve ser lançada em setembro, quando as empresas de software poderão migrar para o sistema. Em outubro, estará liberada para bares, restaurantes e lanchonetes.

Microempreendedores, como carrinhos de comida, poderão fazer parte da iniciativa. Não se trata de um novo aplicativo (app), mas de um sistema que reunirá, em uma só plataforma, os dados dos estabelecimentos. A ideia é simplificar a comunicação, reduzir gastos e ampliar a concorrência aos “apps” que operam no mercado.

Liderado pela Abrasel, o projeto está em fase de testes com algumas empresas de softwares, para detectar possíveis instabilidades.

Dezesseis empresas, como AmBev, Coca-Cola, Rede, Cielo e Getnet já aderiram ao modelo, incluindo o aplicativo de entrega Rappi. Quem adere não é obrigado a usar a ferramenta e pode continuar com seus programas próprios, mas a expectativa é que, com o maior apoio, a adesão ocorra naturalmente, diz a associação.

Essas 16 empresas investiram para pôr o projeto de pé, dividindo (em partes iguais) o investimento de R$ 3 milhões na plataforma aberta, diz a Abrasel. O Google tem conhecimento da iniciativa, mas não entrou nesse primeiro grupo - o site de buscas tem uma nova função que permite encomendar refeições.

Além do Google, o Magazine Luiza, dono do AiQFome, também não aderiu à plataforma neste momento. O Mercado Pago, operação do Mercado Livre, diz que apoia a iniciativa e acompanha a discussão, mas ainda não está entre as 16 empresas.

O “open delivery” uniformiza numa plataforma única os dados dos prestadores de serviço (cardápio, preços, promoções, formas de pagamento, entre outros), permitindo uma conexão direta e negociação mais simples entre eles e as empresas de entrega. “Um novo ‘app’ que queira entrar nesse mercado pode aderir ao ‘open delivery’, reduzindo investimentos que faria ao começar do zero. A informação já estará toda lá”, diz Paulo Solmucci Jr, presidente da Abrasel.

“Isso reduz custos e o ganho pode ser transferido às companhias e aos clientes, favorecendo a competição e o livre mercado”, afirma ele. As taxas de comissão cobradas dos estabelecimentos pelos “apps” variam de 15% a 25% sobre o valor do pedido - e uma maior concorrência, e eventual redução nesse índice, melhoraria as margens de lucro do setor.

As vendas por “delivery” aumentaram na pandemia e ajudaram a manter os negócios de muitos restaurantes. Mas essas taxas pesaram mais no bolso. Além disso, ainda há a questão da simplificação na operação.

“Hoje, os estabelecimentos têm diferentes ‘janelinhas” de pedidos de vários apps, que vão aparecendo em seu sistema. Ao uniformizar numa plataforma central, tudo entra por um software só. Ele visualizará melhor e terá um melhor controle. E se mudar o cardápio, tudo é atualizado de uma só vez”, afirma o presidente da Abrasel.

Como se trata de uma iniciativa para abrir mercado a outros concorrentes, havia uma expectativa de que iFood e Rappi pudessem não entrar nas discussões. Solmucci diz que foram tratativas que se estenderam por meses. “A expectativa é que isso vá ganhando musculatura, e pode ser interessante para eles estarem a par do projeto. Ninguém tem que aderir a nada, mas imagine que isso se torne padrão, e eu fico de fora?”, disse.

Procurado, o iFood informa que acompanhou o projeto como forma de fortalecer sua parceria com os estabelecimentos e integra o conselho de governança do “open delivery”, mas não há decisão de aderir à plataforma. O Rappi não se manifestou.

O projeto teve acompanhamento do Cade, o órgão de defesa da concorrência. A Abrasel reforça que os estabelecimentos mantêm autonomia sobre as políticas comerciais com cada plataforma. “O sistema é aberto a entrada de grupos apoiadores, mas os ambientes de negociação, entre empresas, são individuais e fechados”.

No dia 13 de setembro, o “open delivery” deve ser aberto a empresas de software que queiram ter acesso à plataforma. Em outubro, o serviço será estendido a estabelecimentos. Ainda participam da iniciativa, no apoio à criação do programa, a empresa de tecnologia Matera, e a Afrac, associação de automação do comércio.

O interesse das credenciadoras de cartão pelo novo sistema é natural, diz Carlos Netto, um dos cocriadores da plataforma e presidente da Matera. “Se todas as adquirentes estão em vários restaurantes ao mesmo tempo, por que não entrar no ‘open delivery’? É uma forma de eles deixarem de ser meras fontes de meios de pagamento para serem recebedores de pedidos. Toda a jornada pode ser feita no mesmo lugar”, diz. A nova plataforma deve aceitar cartões, mas também está sendo estudado o pagamento pelo Pix.

A Getnet, empresa de pagamentos do Santander, diz ter entrado no projeto para melhorar o atendimento a bares e restaurantes. O presidente da Stone, Augusto Lins, diz que o ‘open delivery’ poderá se integrar a plataformas já existentes. A Rede, do Itaú Unibanco, informa que o projeto deve gerar maior eficiência para o setor. A Cielo não comentou.

Fonte: Valor Econômico

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