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Proposta tem maior apoio entre os mais jovens e os que possuem ensino superior

8.nov.2020 às 16h00

Everton Lopes Batista

SÃO PAULO

Um levantamento realizado pelo Datafolha em São Paulo mostra que 58% dos eleitores da cidade são contra o uso parcial de ruas, calçadas e vagas de estacionamento por bares e restaurantes para a distribuição de mesas e cadeiras.

Na prática, a medida transforma os espaços abertos em extensões dos estabelecimentos, permitindo ampliação da área onde o serviço é feito. A pesquisa indica que 36% dos eleitores apoiam a iniciativa. Outros 4% são indiferentes ao tema e 2% dos entrevistados declararam não ter opinião sobre o assunto.

O levantamento foi feito nos dias 3 e 4 de novembro com 1.260 eleitores da cidade de São Paulo com 16 anos de idade ou mais. A escolha dos entrevistados foi aleatória e a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

A faixa etária mais favorável à medida é a de 16 a 24 anos —45% são a favor e 47% são contra, números que indicam empate, de acordo com a margem de erro da pesquisa. O apoio à proposta cai conforme a idade aumenta. Entre os eleitores com mais de 60 anos, somente 27% dizem apoiar a ideia.

Os eleitores com maior nível de escolaridade também demonstram maior simpatia à iniciativa. Dos eleitores que estudaram até o ensino superior, 41% concordam com a medida. O apoio cai para 31% entre os que têm menos escolaridade.

Em agosto, o prefeito de São Paulo Bruno Covas (PSDB) anunciou uma parceria com empresários da região da República, no centro de São Paulo, para permitir o atendimento em mesas na rua, em estruturas construídas onde seriam vagas para estacionamento de carros.

A iniciativa foi anunciada como uma maneira de aliviar as perdas financeiras dos estabelecimentos durante a quarentena imposta no estado de São Paulo para conter a pandemia do novo coronavírus. Com a expansão, os restaurantes e bares, que voltaram a reabrir em agosto com limitações, poderiam atender mais clientes.

Mesa de restaurante ocupada parte da calçada em Nova York, em agosto de 2020 – AFP

Hoje, com a cidade na fase verde do Plano SP de retomada da economia, a ocupação desses espaços está limitada a 60% da capacidade total, como uma maneira de evitar aglomerações.

A medida poderia ser encarada também como forma de minimizar os riscos de contágio da Covid-19. A transmissão do Sars-CoV-2 pode acontecer pelo ar, por meio de aerossóis (gotículas muito pequenas de saliva que permanecem suspensas no ar por mais tempo). Assim, cientistas alertam para o risco de ambientes fechados e recomendam mais atividades ao ar livre.

Mesmo assim, a ideia de mesas do lado de fora encontra resistência até entre os donos dos estabelecimentos. Quando o projeto foi anunciado, alguns empresários da região se posicionaram contrários à forma como o projeto foi tocado e afirmaram que que não foram contatados pela prefeitura nem viram o projeto nos canais oficiais, mas por pessoas que diziam tocar o projeto em parceria com a prefeitura.

O projeto tem como uma de suas idealizadoras a colunista da Folha Alexandra Forbes.

Em uma pesquisa divulgada no final de outubro pelo Datafolha, o fechamento de ruas para dar lugar às mesas de restaurantes e bares foi rejeitado por 77% dos entrevistados. A pergunta feita na ocasião, no entanto, dava margem para que o participante da pesquisa entendesse que o fechamento da via seria total.

O levantamento mais recente do Datafolha mostra ainda que a proposta tem maior apoio (52%) entre os que declaram voto em Arthur do Val (Patriota), seguido dos eleitores de Guilherme Boulos (43%, PSOL). Pouco mais de um terço dos eleitores de Celso Russomano (36%) e Bruno Covas (35%) concordam com a iniciativa. Dos eleitores de Márcio França, 31% aprovam a ideia.

Fonte: Folha de SP

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