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Tanto para os empresários quanto para o poder público, a conquista foi coletiva. Presidente da Abrasel em Minas Gerais, Ricardo Rodrigues, que é também coordenador da FGM, diz que a crise econômica que o país passou afetou muito o setor de alimentação fora do lar, e 2019 foi um ano de recuperação



O setor de gastronomia, um dos mais fortes da economia mineira, celebra que 2019 esteja sendo um ano de recuperação para o setor. Nesta segunda-feira (4), a Frente da Gastronomia Mineira (FGM), grupo que envolve profissionais e especialistas da área, além de empresários e poder público, celebrou a consolidação do ramo na capital mineira, coroado com o título que BH recebeu, na quarta-feira (30), de Cidade Criativa da Gastronomia.

A condecoração foi dada pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Na reunião desta segunda, a última de 2019, os membros da FGM debateram sobre os impactos do reconhecimento para a cidade e projetaram planos para 2020. Entre as ideias estão a descentralização de festivais culinários, a convergências com outros campos, como a moda e o artesanato, além de levar mais eventos para a região da Pampulha.

O pensamento da frente casa com o que o Executivo municipal pensa. O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, disse que, dado o reconhecimento pela Unesco, era hora do setor de gastronomia se movimentar. O título seria um "incremento", um suporte para fomentar os negócios do setor na cidade.

Presidente da Abrasel em Minas Gerais, Ricardo Rodrigues, que é também coordenador da FGM, diz que a crise econômica que o país passou afetou muito o setor de alimentação fora do lar, e 2019 foi um ano de recuperação para este segmento. "A gente ter este tanto de realizações (feiras e eventos gastronômicos em BH), solidificando cada vez mais a economia mineira, coroando agora no fim do ano com o título de Cidade Criativa pela Gastronomia, coroa um trabalho de anos, de vários atores", afirmou.

Tanto para os empresários quanto para o poder público, a conquista foi coletiva. Por isso, a meta em 2020 é fazer com que o selo seja usado para fomentar a produção de novas feiras e parcerias na cidade. Para o presidente da Belotur, Gilberto Castro, haverá benefícios econômicos não só para BH, mas para cidades mineiras. "Esse trabalho foi capaz de mostrar a singularidade da nossa gastronomia. Belo Horizonte sintetiza tudo que é feito no Estado. O selo valoriza a projeção de BH internacionalmente. A intenção é que o segmento seja um motor de desenvolvimento econômico", disse.

Os primeiros resultados já começam a aparecer. Para 2020, Belo Horizonte foi convidada para participar do Terra Madre Brasil, evento que acontecerá em julho, em Salvador (BA), e será uma edição nacional do homônimo italiano, com foco em agricultura familiar. Esse foi um dos motes que Belo Horizonte usou para garantir o selo.

"As políticas públicas que a prefeitura vem trabalhando, como as feiras comunitárias e o restaurante popular foram importantes para o título da Unesco. O título passa a ser, na verdade, motivo de mais trabalho, pois o dossiê define objetivos de longo prazo. Há uma série de coisas a serem feitas, de trocas de experiências pela rede criativa e de fomento à segurança alimentar", contou.

Parcerias

Neste sentido, quem também pode ajudar Belo Horizonte a dinamizar o mercado gastronômico são as faculdades. Por meio de estágios dos alunos dos cursos superiores ou troca de experiências em feiras, empresários, professores e estudantes podem dinamizar e qualificar melhor o setor, o que é uma preocupação dos donos de bares e restaurantes.

Coordenador do curso de gastronomia da Faculdade Promove, o chef Jackson Cabral enalteceu, durante a reunião, a disponibilidade da escola em firmar parcerias com a rede gastronômica. "Nossa ideia é que nossos alunos estejam no mercado. Eles são carentes de estágio e é uma oportunidade para estes empresários. Por isso, estamos firmando essas parcerias e mostrando nossa disposição", comentou.

Fonte: Hoje em Dia

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