11/04/13 - Nova lei anima restaurantes


Com a ampliação dos direitos trabalhistas das domésticas, setor de bar e restaurante estima aumento nas refeições fora de casa

Enquanto patrões e empregados tentam se adequar a nova legislação do serviço doméstico no País, o setor de bares e restaurantes aposta que as mudanças vão estimular o aumento da demanda por alimentação fora de casa. A estimativa é de um incremento de 10% a 15% na atividade graças a Lei das Domésticas, seguindo uma tendência de países que também adotaram a regulamentação da categoria.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em Pernambuco, Leonardo Lamartine, destaca os fatores que motivaram a explosão do negócio de bares e restaurantes no mundo. "O mercado de trabalho sempre influenciou o crescimento do setor. Na história da atividade, os primeiros restaurantes surgiram com a necessidade dos funcionários de fazerem alimentação próximo ao trabalho, o que impulsionou a explosão dos negócios nos grandes centros. Agora, os patrões terão que controlar as horas extras das domésticas e a tendência é que comam fora de casa ou façam uso do delivery."

Pode parecer um contrassenso que os patrões economizem na hora extra e gastem com comida fora de casa, mas é o que acaba acontecendo graças a correria do mundo moderno. O setor de food service vem apresentando crescimento bem acima do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, impulsionado por uma mudança cultural e pela conjuntura econômica, com o aumento da renda e ascensão da classe C. Em 2012, o negócio de alimentação fora de casa cresceu 15,6% em Pernambuco. Muito acima do PIB brasileiro (0,9%) e do pernambucano (2,3%). Para 2013, Lamartine vislumbra uma expansão ainda maior, que deverá alcançar 18%, com a realização de eventos como a Copa das Confederações. "O setor de hotelaria cresce e o nosso vai junto", afirma Lamartine.

Além do aumento do consumo, o setor também acredita que poderá dar sua contribuição, captando eventuais profissionais que forem demitidas. "Como o mercado doméstico é bastante informal e apenas 40% das domésticas têm carteira assinada, a expectativa é que ocorram dois fenômenos: o da formalização e o da demissão, nos casos dos patrões que não conseguirem arcar com o custo das mudanças", diz Lamartine, que além de representar a Abrasel, também é dono das redes Bonaparte/Donatário e outras bandeiras.

O empresário lembra que o serviço doméstico tem características semelhantes à atividade de bares e restaurantes e que as domésticas poderão ser reaproveitadas como auxiliar de cozinha, serviços gerais e outras funções. O setor é o segundo maior gerador de empregos do País, atrás apenas da construção civil e responde por 7% do PIB nacional.

Apesar do crescimento exponencial nos últimos anos, a atividade ainda no Brasil ainda tem muito espaço para se expandir, quando comparado com outros países. "Hoje o Brasil está num patamar semelhante ao dos Estados Unidos no ano de 1955", compara Lamartine. Naquele ano, o dólar food (percentual da renda familiar gasta com alimentação fora do lar) entre os americanos era de 24%. Só atualmente o Brasil chegou na casa dos 26%, enquanto nos Estados Unidos já está em 58%.

O setor também vem recebendo incentivo do governo. Há três meses, o governo de Pernambuco reduziu de 6% para 2% o ICMS da atividade. Com patrões comendo fora de casa, a atividade terá mais um ano a comemorar.
Fonte: Diário do Comércio