08/04/13 - Restaurantes correm para melhorar qualidade da mão de obra

 

Com a proximidade da Copa e das Olimpíadas, empreendedores de Manaus investem na capacitação dos funcionários

Considerado como o ´calcanhar de Aquiles´ dos bares, lanchonetes e restaurantes em Manaus, o atendimento tem tirado o sono de empresários do setor.

Preocupados em deixar uma boa impressão para os turistas que visitarem a cidade durante a Copa do Mundo de 2014, os proprietários dos estabelecimentos que oferecem refeições investem na capacitação dos funcionários para garantir um serviço de qualidade aos clientes durante o evento futebolístico mundial.

“Os empresários têm buscado orientação nesse sentido. A Copa do Mundo tem incentivado aqueles que nunca se preocuparam com atendimento de excelência”, revela a secretária executiva da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Amazonas (Abrasel-AM), Gisele Relo.

Segundo a entidade, Manaus deverá abrir 10 mil empregos diretos e outros 10 mil indiretos durante a Copa de 2014 com salários que variam entre R$ 700 e R$ 1,5 mil.

Para qualificar os empregados do setor, a Abrasel lançou um programa de capacitação dos empresários e funcionários que atuam no setor de bares, lanchonetes e restaurantes.

A qualidade das refeições e do atendimento são pontos essências que estão sendo priorizados no processo de melhora dos índices de satisfação dos clientes. “A meta é orientar no mínimo 70% dos associados”, conta Gisele.

Ela destaca que outro ponto importante para a associação é certificar a maioria dos associados com o Programa Alimento Seguro (PAS), que integra o sistema composto pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Serviço Social da Indústria (Sesi) e pelo Serviço Social do Comércio (Sesc).

Juntas, essas entidades colaboram com o setor para reduzir os riscos de contaminação dos alimentos, além de qualificar os profissionais que atuam diretamente na linha de frente dos restaurantes de Manaus.

O empresário Raul Andrade, proprietário da rede de lanchonetes Alemã, revela que investe de 3% a 5% do faturamento mensal na capacitação dos seus colaboradores. Apesar de se importar com a Copa de 2014, ele garante que a preocupação com a qualificação dos funcionários extrapola o período dos jogos.

“A Copa do Mundo vai agitar a cidade apenas por alguns dias. Embora tenha funcionários bilíngües em cada uma das minhas lanchonetes, minha visão vai além do evento, pois nosso foco principal vai continuar sendo a sociedade manauara”, afirma.

Clientes reclamam

Enquanto os empresários pensam nos turistas, o cidadão manauense continua a sofrer com a baixa qualidade do atendimento nos bares, lanches e restaurantes da cidade. As reclamações são variadas, incluindo garçons despreparados, pratos trocados, cardápios desatualizados e até comida com detergente.

O empresário Bernardo Cecílio passou por um episódio desagradável quando foi mal atendido em um famoso restaurante da cidade. Ele estava acompanhado da esposa e do filho para tomar café da manhã e foi obrigado a ficar em pé aproximadamente 15 minutos até conseguir uma mesa.

“Quando sentei, chamei com educação um garçom. Foi quando nos sentimos ofendidos pela forma grosseira como ele respondeu sem sequer olhar pra trás”, detalha.

A funcionária pública, Graziela Carneiro, que costuma freqüentar bares e restaurantes aos finais de semana com o marido, desta vez, teve problemas ao pedir comida em casa.

“O prato veio trocado. Quando liguei pra informar o ocorrido, fui tratada com gritaria pela atendente. O motoboy quando retornou com o pedido correto, parecia muito irritado. Numa situação dessas tudo o que se espera é atenção e respeito por parte da empresa. Porém, em Manaus, exigir seus direitos pode ser motivo de confusão” salienta.

 

Fonte: Em Tempo Online