18/03/13 - Cerveja mais cara incomoda consumidor paulistano

 

De um ano para cá, o preço da bebida em bares e restaurantes de São Paulo subiu 11,68%

“Está caro demais”, reclamava, na semana passada, Lucas Ambrico, de 23 anos. Ele se referia ao preço da cerveja, de R$ 10 a R$ 12 a garrafa nos bares mais sofisticados da Vila Olímpia, Zona Sul. Na Rua Quatá, ele encontrou uma “pechincha”: R$ 8 o litrão. E ali parou para beber com quatro amigos. “Ainda assim pesa no orçamento. A garrafa de 600 ml, que custava R$ 5 a um ou dois anos atrás, agora sai por R$ 7”, diz.

A queixa de Ambrico não é papo de boteco. De um ano para cá o preço da cerveja em bares e restaurantes de São Paulo subiu 11,68%, segundo o IPCA-IBGE. A taxa é mais do que o dobro da inflação no período, que ficou em 5,54%, conforme o mesmo índice. E a escalada de preços não deve parar: em abril, o governo federal vai ampliar os impostos sobre a bebida para compensar a desoneração de outros produtos – a medida, anunciada no ano passado, deveria ter entrado em vigor em outubro, mas foi adiada a pedido de empresários do setor.

Portugal

O preço do happy hour em São Paulo assusta quem chega ao país. A portuguesa Inês Neves, há cinco meses na cidade, comemorava, com uma cerveja de 600 ml a R$ 7,30, na Vila Madalena, Zona Oeste, os seus 30 anos. “Em Portugal é mais barato. Bebe-se a 2 euros (R$ 5)”, diz ela.

André Braz, economista da Fundação Getulio Vargas, afirma que o aumento do poder aquisitivo do brasileiro é um dos fatores que puxam o preço da cerveja. “Os produtos considerados supérfluos tendem a ter maior alta”, diz.

Nessa situação, ganha o bar que mantém o preço baixo. Manuel Freitas, de 52 anos, dono de um boteco no Itaim Bibi fez um acordo com o fornecedor. “Dou exclusividade. Assim, compro o litrão a R$ 3 e vendo a R$ 6.” Na porta, colocou uma faixa com o preço. E espalhou mesinhas na entrada e na garagem do imóvel ao lado.

Bares criticam concentração do setor cervejeiro

Percival Maricato, consultor jurídico da Associação de Bares e Restaurantes em São Paulo, critica a concentração do setor cervejeiro. “Isso, aliado à alta da gasolina e à restrição a caminhões em São Paulo, infla o preço da cerveja”, afirma.

 

Fonte: Diário de S. Paulo