18/03/13 - Periferia atrai instalação de novos shoppings

 

Depois do boom da construção de shopping centers direcionados à classe A, os olhos das empresas do setor se voltam para áreas periféricas das grandes capitais brasileiras. Os motivos são a falta de espaço para a instalação desse tipo de empreendimento em zonas de maior poder aquisitivo e a consolidação da classe C, ao longo dos últimos anos, como a principal alavanca de crescimento do segmento, sobretudo nessas localidades. Os principais exemplos são o Shopping Metropolitano Barra, o Tietê Plaza Shopping e o Shopping Metrô Tucuruvi. Com exceção do último - que não revelou a data de conclusão das obras -, os outros dois serão inaugurados no segundo semestre de 2013, no Rio de Janeiro (RJ) e em São Paulo (SP), respectivamente, em bairros que ainda não possuem nenhum centro comercial próximo.

"Nós vimos que esses locais, além de apresentarem uma concorrência pequena, dispunham de um grande contingente de população e renda. Os pontos de maior poder aquisitivo de São Paulo já estão preenchidos com bastantes centros comerciais. Apesar disso, a cidade ainda tem espaço para novos shoppings, principalmente nos lugares de renda mais baixa", disse Francisco Pereira, diretor de novos negócios da Cyrela Comercial Properties, empresa responsável pelas obras do Tietê Plaza e do Metropolitano Barra, e administradora do Shopping Center D e do Grand Plaza Shopping, em São Paulo.

A ideia de erguer o Tietê Plaza à margem do rio de mesmo nome, que corta a capital paulista de norte a sul, surgiu da percepção de que os moradores de bairros como Pirituba, Limão, Parque São Domingos, e Vila Brasilândia, entre outros, da zona norte, tinham que se deslocar muitos quilômetros para conseguir chegar a um centro comercial. "Vimos que os dois shoppings que eles mais frequentavam eram o Eldorado e o Center Norte", disse o executivo. O primeiro se localiza na região de Pinheiros, e o segundo, na Vila Guilherme.

"O objetivo é atingirmos o público do lado de cá do rio", afirmou Pereira, se referindo a uma área de São Paulo cuja localização é uma das mais distantes de seu centro. Voltado para a classe B e C, o estabelecimento já dispõe de 160 lojas comercializadas, restando apenas cerca de 40 espaços para locação, que devem ser negociados nos próximos meses até a inauguração, agendada para o final de setembro ou começo de outubro de 2013, conforme Pereira. "Deste ano não passa. Só se acontecer alguma catástrofe no caminho", completou.

Visto como um "centro de efervescência" quanto a fluxo de pessoas, o terceiro piso do local dispõe de 30 unidades de fast-food, com contratos já fechados, para compor a praça de alimentação, e mais sete salas de cinema. O diferencial do andar ficará por conta da vista para a Avenida Marginal do Tietê, que no espaço receberá uma parede envidraçada, colocada de frente para a via.

Também erguido à beira de um local aquífero - a lagoa Jacarepaguá -, o Shopping Metropolitano Barra se originou de uma razão um pouco diferente da do Tietê Plaza. Na opinião de Pereira, tudo o que é erigido na Barra da Tijuca tende a ser um sucesso, uma vez que a área abrange inúmeros projetos imobiliários, incluindo condomínios de luxo. Em contrapartida, num primeiro momento, o estabelecimento procurará atender também a populações mais humildes do Rio, como as que moram no bairro de Jacarepaguá, próximo do estabelecimento.

"O shopping será democrático, atendendo a um público A, B e C", disse o executivo.

Com área bruta locável (ABL) de 44 mil m², o empreendimento já fechou 170 locações, restando 30 ainda por comercializar. Também com vista panorâmica, a praça de alimentação contará com cinco restaurantes, além das franquias, e, próximo ao espaço, mais oito salas de cinema. A data de inauguração - caso tudo ocorra dentro do previsto - está marcada para outubro de 2013.

Procurando atender a um fluxo de 25,2 milhões de pessoas por ano, o Shopping Metrô Tucuruvi - que ainda mantém segredo sobre a data de sua inauguração - está sendo construído ao lado da estação de metrô que deu nome ao empreendimento. Por mais que haja uma parcela significativa de indivíduos da classe A e B morando na região, o movimento deve se concentrar nos usuários de transporte público que passam diariamente pelo local.

Segundo informações da página oficial do projeto, a escolha do ponto estratégico se baseou no formato de sucesso do Shopping Metrô Santa Cruz, que também se localiza próximo a uma estação do Metropolitano. De acordo com informações da assessoria da empresa responsável pelas obras, a JHSF, 95% dos espaços já foram comercializados.

Classe C

Em busca de novos lugares em potencial nas duas cidades mais populosas do Brasil, as empresas do ramo se ativeram àquela parcela da população que, além de se ter expandido nos últimos anos, obteve um incremento de renda significativo, capaz de habilitá-la ao consumo de produtos supérfluos, como calçados, artigos de vestuário, acessórios, eletrônicos e serviços, isto é, todo o portfólio encontrado nos shoppings da atualidade.

Soma-se a isso o fato de os centros comerciais solucionarem muitos dos problemas enfrentados pela população dos centros urbanos, como congestionamento e falta de segurança.

Na opinião de Francisco Pereira, dois fatores têm sustentado o crescimento ascendente do setor no período presente: o primeiro diz respeito à facilidade que os shoppings propiciam ao consumidor, no sentido de lhe oferecer em um só local tudo de que ele precisa; o segundo se refere ao período de estagnação pelo qual passou o segmento na década de 90.

"Esse boom que vemos hoje foi para recuperar o tempo perdido. De repente apareceu dinheiro, e nos tornamos o que somos hoje. Há muito mais gente boa trabalhando no segmento atualmente", disse Francisco Pereira, referindo-se ao nível de profissionalização ao qual chegou o mercado de shopping centers no Brasil. Por causa disso, ele espera um movimento de retração no futuro, no tocante à abertura de novos empreendimentos.

Levantamento

Dados levantados pela Associação Brasileira de Shopping Centers colocam a Região Sudeste como aquela em que o segmento é mais desenvolvido. Com faturamento de R$ 70,6 bilhões, ou 59% do rendimento total do País, essa região possui 255 dos 457 shoppings em atividade no Brasil, verificados em 2012.

 

Fonte: DCI