06/03/13 - Setor food service tem aumento acima média em Fortaleza

 

Capital registra alta de 9,57% em 2012. Valor ultrapassa os 6,7% da inflação nacional para o período

Seja pela praticidade e pela comodidade ofertadas ou apenas como uma forma de lazer, comer fora de casa tem pesado cada vez mais no bolso dos fortalezenses. Ao longo de 2012, as refeições fora do lar na Capital cearense subiram 9,57%, muito acima da inflação geral para o período, que foi de 6,70%. Neste ano, a tendência permanece de alta e, somente em janeiro, a alimentação fora de casa em Fortaleza ficou 2,14% mais cara, contra 1,02% na média nacional. A variação, que ficou acima da inflação geral na Capital (1,01%), foi a maior do País, de acordo com a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em todo o Brasil, as únicas capitais, das 11 pesquisadas pelo IBGE, que tiveram alta para a refeição fora de casa próxima à registrada em Fortaleza também ficam no Nordeste: Recife (1,80%) e Salvador (1,75%). Na cidade cearense, os doces foram os que mais subiram, entre os produtos avaliados no grupo alimentação fora do lar. Em janeiro, ficaram 3,73% mais caros, maior incremento no Brasil.

Em seguida, veio o lanche, que registrou aumento de 2,37% no primeiro mês de 2013. A refeição também teve uma variação significativa: 2,20%, bem acima do registrado pelas outras cidades pesquisadas e também da média nacional (0,73%). A cerveja teve alta de 1,69%, enquanto outras bebidas alcoólicas subiram 1,17%. Todas essas variações também ficaram acima da média nacional registrada para o período (1,43% e 0,34%, respectivamente).

 

Causas

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Ceará (Abrasel-CE), Ivan Assunção, o crescimento da demanda nos meses de dezembro e janeiro, ocasionado pelos festejos de fim de ano e pelo período de férias, foi um dos fatores que contribuíram para o encarecimento da alimentação fora de casa no início do ano.

"Nestes meses, existe uma elevação do consumo de alimentos e alguns produtos começam a ficar escassos e, consequentemente, mais caros. Nesta alta estação, o peixe, por exemplo, subiu 25%, enquanto a carne teve alta de 23% e o camarão de 19%. As bebidas também ficaram mais caras. A cerveja aumentou cerca de 9%. Então, chega um momento em que essas altas acabam sendo repassadas ao consumidor", explica Assunção.

No caso dos alimentos, Ivan destaca que a seca enfrentada no Estado tem contribuído para o encarecimento dos produtos. "Nas áreas de produção de carne, por exemplo, quando não há chuva, o produto fica mais caro", diz. Já no caso das bebidas, o presidente da Abrasel destaca o aumento na carga tributária, tanto para as bebidas não alcoólicas quanto para as alcoólicas, que acaba sendo repassado ao consumidor final.

 

Perspectiva

Ivan Assunção destaca ainda que, em geral, quando há um aumento de preços na alta estação, estes podem até ser reduzidos posteriormente, mas não costumam recuar aos patamares anteriores. O presidente da Abrasel-CE diz que ainda não é possível estimar se alta da alimentação fora de casa ao longo de 2013 será semelhante à do ano passado, mas ele acredita que ela permanecerá acima da inflação. "É difícil de prever, mas é provável que fique novamente acima da inflação. Pois, se formos analisar, somente em janeiro, em um único mês, a alta já foi superior a 2%", enfatiza. "A gente torce por um aumento razoável, acompanhando a inflação do País", acrescenta.

 

Fatores

Na opinião de Assunção, além de um bom inverno que favoreça a produção de alimentos, outros fatores poderiam contribuir para evitar o aumento significativo dos preços dos produtos. Entre eles, uma campanha de desoneração dos alimentos.

"Hoje, a carga tributária dos alimentos no Brasil chega a 34%, enquanto em outros países mais desenvolvidos fica entre 4% e 6%. Isso chega ao consumidor. Se houvesse uma política de desoneração, os preços seriam menores e as pessoas consumiriam mais", afirma.

 

Mercado

Conforme o presidente da Abrasel-CE, o consumidor percebe o aumento nos preços da alimentação fora de casa, mas entende, pois, quando o preço de um produto sobe nos restaurantes, por exemplo, ele já subiu nas prateleiras dos supermercados. Ivan Assunção ressalta ainda que os preços mais altos não inibem o consumo de alimentos fora do lar, que vem crescendo consideravelmente nos últimos anos.

"O consumo não cai. A cada ano, vem crescendo o número de pessoas que come fora de casa, por fatores como a correria do dia a dia, a praticidade etc. Atualmente, cerca de 30% dos gastos dos brasileiros com alimentação correspondem à alimentação fora do lar. Mas ainda há muito espaço para crescer e esse percentual pode ultrapassar 40%", completa.

 

Fonte: Abrasel CE