30/01/13 - Destaque para as franquias de alimentação

 

Segmento tem maior número de redes e é o que mais cresce no país

Em pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), as franquias de alimentação foram as que mais cresceram nos últimos anos. Entre 2010 e 2011, o crescimento de unidades foi de 15,4%, de 12.015 para 13.866.

“O ramo de alimentação cresce forte no Brasil, porque parte da população que antes era considerada da classe C e D está se tornando B, e, com isso, consomem mais, e frequentam shopping centers, onde é muito comum franquias de restaurantes”, diz o economista Adriano Paranaíba.

O diretor de marketing e expansão do QG Pastéis Grelhados e Sanduíches, Guilherme Carvalho, concorda: “Os shopping centers, de forma geral, não estão mais aceitando marcas próprias, mais de 75% são franquias.”

Porém, o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-GO), Rafael Carvalho, acredita que em Goiânia o setor ainda tem muito o que crescer. “Acho que vai crescer muito em São Paulo, a cada dez pessoas, oito almoçam fora, em Goiânia, ainda são três, mas com o crescimento da cidade, complicação do trânsito e diminuição da família, esse número vai aumentar.”

Ele também concorda que observar os shoppings é uma forma de perceber como as franquias de alimentação estão se tornando fortes. “Os shoppings trabalham praticamente só com franquias, porque têm plano de negócio, projetos mais sérios, contratam mão de obra qualificada.”

O analista do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e coordenador do Programa de Franquias, Paulo Renato Fava Adorno, tem ainda outra explicação para o crescimento das franquias do segmento de alimentação. “As mulheres estão cada vez mais inseridas no mercado de trabalho, por isso, a alimentação fora de casa está se tornando mais frequente, além de que muitas redes fazem balanceamento com nutricionistas, o que interessa a nova geração saúde.”

A rede QG abriu a primeira loja há 31 anos, em Goiânia, e há três anos teve sua primeira loja franqueada em Anápolis. Hoje são 24 lojas, 11 próprias e 13 franquias, abrangendo Goiás, Distrito Federal, Tocantins e Minas Gerais.

 

“O dono da marca precisa de outros investidores para expandir, mas aí tem que entender que o negócio deixa de ser próprio, e passa a ter sócios, é preciso ouvir e entender se as sugestões dos donos das franquias fazem sentido, e ter e passar muito conhecimento”, explica Guilherme Carvalho pelo motivo da necessidade de se tornar franqueador e o segredo do sucesso.

O economista destaca que outro motivo para o crescimento de franquias de alimentação é devido à demanda por comida, que jamais vai acabar, inclusive em épocas de crise. “Existem franquias de vários segmentos, mas alimentação é mais fácil, a tendência é sempre aumentar”, completa o presidente da Abrasel.

GERAL

Os motivos do interesse de muitos investidores em franquias são vários. “A marca já existe, os produtos já foram testados, não precisa inventar, vai apenas multiplicar um negócio já existente, que já é consolidado”, diz Rafael Carvalho.

Adriano Paranaíba ainda diz que as principais vantagens de franquias são o nome conhecido, a facilidade de divulgação, a demanda por um nome que já é consagrado e a clareza nas questões financeiras e no que esperar do negócio.

Mas o presidente da Abrasel ainda diz que um motivo que conta muito são as estatísticas. “Em cada 100 empresas que abrem por conta própria, 80% fecham em cinco anos, já com as franquias, o índice de fechamento é de 10%”, conta.

O diretor de marketing e expansão do QG Pastéis Grelhados e Sanduíches, que já tem experiência no ramo, diz que o que os investidores mais prezam em sua franquia é a segurança, já que o risco, apesar de não ser nulo, é reduzido pelo negócio já ter dado certo e fornecer assessoria e consultoria.

OUTRO LADO

O economista lembra que todo negócio que tem franquias um dia começou como negócio próprio e, por isso, para alcançar o sucesso, é preciso trilhar um caminho longo. “O gestor tem que criar uma identidade forte, dominar o mercado e ter conhecimento das particularidades que envolvem o seu negócio.”

O coordenador do Programa de Franquias do Sebrae conta que a partir de dois anos de um negócio, é feito um diagnóstico de franquiabilidade pela agência, que procura por potenciais franqueadores. “Em dezembro do ano passado tivemos sete diagnósticos positivos, um é de alimentação.”

A partir daí, Paulo Renato diz que vêm outras responsabilidades. De acordo com ele, é preciso dar total assistência ao franqueado, principalmente quando uma nova unidade da rede é inaugurada. “O gestor não pode pensar que vai ganhar dinheiro só com a taxa de franquia, é preciso fazer acompanhamento e ter a cabeça aberta às sugestões dos franqueados.” Ele conta ainda que o Big Mac, que hoje é conhecido como uma moeda do Mc Donald’s, foi inventado por um franqueado e não pelo dono.

Apesar do franqueador ter muitos deveres com o seu franqueado depois do momento da venda, o investidor que compra uma franquia também tem muito o que fazer pelo negócio.

“Primeiro ele deve ter o capital para investir; segundo, o perfil de empreendedor e entender que aquele é o negócio da vida dele; e terceiro é criar amor pela marca”, orienta Guilherme Carvalho.

Paulo Renato enfatiza que não adianta pagar a taxa da franquia se não tiver tempo para se dedicar ao negócio. “Tem que seguir todos os padrões, tanto visual, quanto de monitoramento, e 70% do sucesso hoje é creditado à dedicação”, afirma ele.

VALORES

O analista do Sebrae informa alguns valores médios para se iniciar como franqueado de uma determinada rede. “A taxa de franquia é a partir de R$ 250 mil. Dependendo da franquia, a taxa é em torno de R$ 30 mil e a taxa de royalties é em média de 3,5% a 6% mensalmente, além da taxa de publicidade, que é feita em prol dos franqueados, mas é feita pelo franqueador, e, por isso, é cobrada uma taxa em torno de 1% a 2%.”

Porém, ele ressalta que além disso, é preciso ter dinheiro reservado para reforma do local onde o estabelecimento vai ser implantado e no mínimo R$ 50 mil de reserva para capital de giro.

Fonte: Diário da Manhã