23/01/13 - Restaurantes terão 'nota' para higiene

 

Projeto que está sendo elaborado pela Anvisa prevê classificar estabelecimentos, como já acontece em outros países

Ideia é fazer um teste nas cidades-sede da Copa; setor, de forma geral, apoia iniciativa da agência federal

JOHANNA NUBLATDE BRASÍLIA

Será que o frango oferecido no cardápio do restaurante foi estocado à temperatura correta? E que a cozinha tem uma proteção que barra a entrada de baratas?

Questões como essas devem ficar mais transparentes para o consumidor com um projeto em fase final de elaboração pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária): a classificação dos restaurantes do país com base nas condições de higiene do estabelecimento.

Até novembro, a Anvisa deve apresentar as primeiras "notas" de restaurantes das 12 cidades-sede da Copa.

A ideia segue experiências já adotadas em países como Dinamarca e Nova Zelândia e em cidades como Nova York.

Na cidade americana, desde 2010 os restaurantes são categorizados por letras -em que A é a melhor classificação, e C é a pior. Depois de avaliado, o restaurante deve afixar, de forma visível para o consumidor, sua "nota" -informação que vai parar até num aplicativo para smartphones.

Após a medida, um estudo apontou na cidade queda no número de casos de Salmonella -bactéria que pode causar diarreias, vômitos etc.

Um sistema de letras semelhante é usado na Nova Zelândia. Já a Dinamarca usa carinhas mais e menos felizes para indicar a condição sanitária dos restaurantes.

Essa transparência é boa, avalia o dinamarquês Simon Lau, chef do badalado restaurante Aquavit, em Brasília.

"Eu gostaria de colocar um sorriso ou uma letra 'A' no meu restaurante", afirma.

MODELO NACIONAL

No caso do Brasil, ainda não foi definido se a categorização vai ser por letras, diz Denise Resende, gerente-geral de alimentos da Anvisa. Nem a forma como a comunicação será feita -se pela internet ou com aviso no estabelecimento.

"Queremos mostrar para o consumidor a variação na qualidade mesmo entre os restaurantes com permissão de funcionamento", diz Denise.

Durante dois anos, a agência quer testar o projeto, ainda tido como piloto, nas cidades da Copa -até para ser um guia a turistas estrangeiros. Há a possibilidade de estender a iniciativa a outras localidades.

A adesão das cidades é voluntária e haverá recursos federais (R$ 5 milhões) para qualificação de técnicos locais de vigilância sanitária.

Segundo Denise, caberá ao município estabelecer prioridades locais -como focar em um tipo de restaurante ou priorizar bairros-, com base num "check-list" de principais riscos à saúde.

O diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, ressalva que nenhum local ficará aberto sem o mínimo de higiene hoje determinado pelas leis brasileiras.

APROVAÇÃO

De forma geral, a proposta é bem vista pelo setor.

Fernando Cabral, da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), defende que seja voluntária a divulgação do resultado pelo restaurante -o que não está previsto. A entidade ainda questiona a capacidade de fiscalização da vigilância.

A ANR (Associação Nacional dos Restaurantes) diz que o modelo funcionou no exterior e que aguarda a divulgação dos critérios nacionais.