Os mais otimistas esperavam uma alta de 2% a 3%. Mas 2012 decepcionou em relação às vendas de cerveja, segundo dados Nielsen fornecidos por empresas do setor. No ano, foram vendidos 8,69 bilhões de litros de cerveja - 0,5% menos que em 2011, ano que também teve queda na comparação com o período anterior (de 2010 para 2011, as vendas diminuíram 1,5%, segundo a Nielsen).

O vilão da queda nas vendas foi o preço da cerveja. De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fipe, a bebida ficou 16,67% mais cara no ano passado, enquanto a inflação média do período foi de 5,10%. Conforme os fabricantes, dois fatores puxaram o preço para cima: a alta do dólar e do imposto que incide sobre o produto.

 

Depois de quase dez anos sem alteração na carga tributária, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) foi reajustado em 2011 e novamente no ano passado. Em setembro, o governo fechou um acordo com os fabricantes de cerveja para adiar parte do aumento da carga tributária que entraria em vigor em outubro. Parte do reajuste foi feita naquele mês, e o restante começará a ser cobrado a partir de abril.

O governo queria fixar as alíquotas em 10,93% (sobre o preço de varejo)para a cerveja em lata, em 12,5% para a em vidro retornável e para 11,71% para vidro descartável. Mas aceitou ficar com 10,29%, 11,76% e 11,03%, respectivamente, até abril. Daqui a três meses, o imposto passará a 10,5% para a cerveja em lata, 12% no caso da garrafa e 11,25% para a garrafa retornável.

O dólar, por sua vez, fez aumentar o preço de insumos importados, como latas e cevada. Cerca de 60% dos custos de produção de cerveja são matérias-primas dolarizadas, segundo a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil).

Depois de dobrar, importação de cerveja também cai

Em 2011, o Brasil importou o dobro de cervejas em relação a 2010, passando de 22 mil toneladas para 44 mil toneladas (em vez de litros, a Receita Federal publica os dados em quilos). No ano passado, porém, a importação diminuiu para 43,3 mil toneladas. A explicação é simples: o dólar. Com a valorização da moeda americana, o País acabou gastando mais para comprar menos cerveja, já que a bebida ficou mais cara.

Enquanto em 2011 foram gastos US$ 40,6 milhões para a importação de 44 mil toneladas, em 2012 o Brasil gastou US$ 45,07 milhões para comprar 1,59% menos. No mercado cervejeiro, o único dado positivo do ano foi a produção nacional, que passou de 13,277 bilhões para 13,7 bilhões de litros, segundo a Receita Federal. Isso aconteceu porque, no fim de 2011, os canais de venda tinham alto volume de estoques. Quando esses estoques acabaram, no começo do ano passado, a indústria teve de atender a essa demanda.

 

Veículo: O Estado de S.Paulo