02/01/13 - Novos bares elevam sede por bartenders

 

Apenas duas semanas depois de concluir um curso de formação de bartenders, o estudante de turismo Caíque Carinhanha já conseguiu seu primeiro estágio, no bar de um hotel situado na região da Avenida Paulista.

Feliz com a oportunidade, ele conta que desde o ingresso na faculdade, três anos atrás, a área de bebidas sempre foi a que mais o atraiu. E traça planos otimistas para os próximos anos: quer se tornar chefe de bar, posto mais alto em um estabelecimento, cuja remuneração pode beirar os R$ 8 mil, segundo a Associação Brasileira de Bartenders (ASSBB).

No que depender das condições do mercado, o planejamento do jovem bartender tem grande potencial de se concretizar.

De acordo com o presidente da ASSBB, Nilson Viana Cândido, o crescimento do setor de bares e restaurantes, motivado sobretudo pela proximidade da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, ampliou muito a demanda por profissionais com essa qualificação.

"Nos últimos dois anos e meio, temos notado esse aumento, o que trouxe uma mudança nas perspectivas para a profissão. Antes, elas se resumiam basicamente ao trabalho em cruzeiros ou a oportunidades fora do País", diz Cândido. "Agora, mesmo formando todos os meses cerca de 30 profissionais, não conseguimos suprir o mercado", diz o presidente. Ele ressalta:mais de 90% dos alunos formados pela entidade já saem do curso empregados.

"O setor, de um modo geral, vem passando por um processo de profissionalização com a inauguração de bares de alta qualidade em todas as capitais do País, o que aumenta a sede do mercado pelos bartenders", diz a diretora de relações corporativas da Diageo para o Paraguai, Uruguai e Brasil, Grazielle Parenti. Ela é responsável pelo programa Learning for Life, que há dez anos oferece cursos de bartender para jovens de baixa renda. Segundo Grazielle, nos últimos anos o índice de empregabilidade dos alunos formados pelo curso tem ficado próximo dos 85%.

 

"Todos os dias recebo pedidos de indicações para vagas abertas. Mas faltam pessoas para indicar", diz o consultor de bares Rafael Mariati, que também leciona no curso de formação de bartenders oferecido pela Diageo.

Ele conta que no curso os alunos aprendem sobre fundamentos históricos e técnicos das bebidas e suas misturas e também sobre a criação de sabores por meio dessas misturas. Ainda recebem noções sobre truques de balcão e têm introdução ao mercado de vinhos (sommelier) e cervejas (beer sommelier).

Além das aulas técnicas, os participantes recebem noções de administração financeira, de empreendedorismo e de inglês básico. Segundo Mariati, um profissional recém formado inicia na profissão como ajudante (bar boy) com salário de R$ 1,5 mil para uma jornada de oito horas diárias. No próximo degrau, já como bartender a remuneração pode chegar a R$ 4 mil, segundo a ASSBB.

Para se dar em na profissão, na visão do consultor, é preciso ter muita disposição, sobretudo para trabalhar em finais de semana, feriados e, ainda por cima, durante à noite na maioria das vezes. "Essa necessidade costuma filtrar muito os profissionais. Só fica mesmo quem gosta."

Simpatia. Ter habilidade para lidar com pessoas é quesito fundamental para quem quer atuar atrás do balcão de um bar, afirma o chef de bar do restaurante Fasano, Thiago Gregório. Para ele, simpatia é indispensável para quem trabalha servindo.

Com 12 anos de experiência, ele nunca parou de estudar e de se atualizar. Ele acredita que este é o caminho para o sucesso na carreira. "Aquela figura antiga do bartender que só servia bebidas tende a desaparecer. Hoje, a função exige mais. Requer que o profissional esteja antenado sobre novas tendências, novos coquetéis", afirma. Gregório, agora, está se especializando no mercado de cervejas artesanais.

Para se tornar um chef de bar, na visão de Gregório é preciso ter, além do conhecimento técnico e criatividade para novos cardápios de coquetéis, boa dose de traquejo gerencial, pois a rotina envolve coordenar o trabalho dos bartenders e garçons de um bar e controlar o fluxo de produtos em estoque.

O domínio do inglês, apesar de não ser algo imprescindível atualmente, pode representar um diferencial na visão de quem atua no setor. "Em um momento em que o mercado está em expansão, quanto maior for o nível de qualificação do profissional maior será a sua valorização. Nesse sentido, falar inglês e, se possível, mais uma língua vai abrir o horizonte de possibilidades", avalia Gregório.

De olho nessas oportunidades, o recém-formado Carinhanha já investe no estudo do inglês. "Já estou no nível avançado e no ano que vem começo a estudar francês também", conta.

Fonte: Estadão