13/12/12 - Setor cervejeiro tem o menor crescimento em cinco anos

 

A indústria cervejeira brasileira deverá ter em 2012 seu mais tímido crescimento de produção dos últimos cinco anos, afirmou o diretor da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), Paulo Macedo, em coletiva ontem em São Paulo. De acordo com a entidade, de janeiro a novembro, foram produzidos 12,2 bilhões de litros da bebida, ante 11,8 bilhões de litros no mesmo período de 2011. O crescimento é de 3,23% em 11 meses e a expectativa é de fechar o ano com alta de cerca de 4%, dependendo do desempenho do mês de dezembro.

Nos cinco anos anteriores, o setor registrou avanço médio anual de 6,5%, ante um crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,3%. "O crescimento será abaixo da média dos últimos cinco anos, mas como o PIB em 2012 deve ficar entre 1% e 1,5%, em relação ao PIB, o avanço está bem superior, fruto dos investimentos do setor", pondera o diretor-executivo da CervBrasil, Paulo Petroni. No ano, a expectativa de investimento das indústrias cervejeiras é de cerca de R$ 4 bilhões, com incremento de 7,2% no emprego, passando de 44,8 mil trabalhadores em 2011, para 48 mil no ano corrente.

 

Este também deverá ser o segundo ano consecutivo de queda no consumo do produto no País. Até outubro, segundo Macedo, citando dados do instituto Nielsen, a bebida acumula queda 0,4%, após ter fechado 2011 com redução de 1% no consumo, ante o ano anterior. "A aposta que o setor está fazendo na produção, infeliz mente não está se refletindo no consumo", avalia o executivo. Segundo ele, uma redução na renda disponível dos consumidores, comprometidos com o pagamento de dívidas, é a variável que mais influencia na baixa.

A grande esperança do setor, para que o ano não feche com consumo negativo e os estoques se regularizem, está nas vendas de verão. "Tudo depende de dezembro", diz Macedo. "Os três meses de verão representam 40% de toda a venda do ano. Os números de novembro e dezembro são cruciais para o resultado do setor", explica. Em novembro, foi registrada queda de 2% na produção, em relação ao mesmo mês de 2011, um indício do esforço do setor em ajustar estoques acumulados nos meses anteriores, de baixo consumo.

Desafio

O ano que se aproxima não deverá ser menos desafiador para a indústria da cerveja, apesar das previsões otimistas quanto à retomada econômica. Isto porque está previsto para abril de 2013 aumento da tributação para o setor, inicialmente marcado para outubro e adiado. Pelo acordo firmado com o governo federal, haverá um aumento de 25% no índice que serve de base de cálculo para a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PIS e Cofins. Para que o consumidor sinta menos o impacto sobre os preços, a bebida terá reajustes semestrais, diluídos em seis anos, com aumento de 0,2% já em abril.

No entanto, a CervBrasil ainda não dá o incremento tributário como certo. "O adiamento do reajuste nos deu a oportunidade de apresentar um plano de metas, em consonância com o Plano Brasil Maior, que convenceu a equipe econômica [do governo] a dar um voto de confiança no setor", lembra Macedo. "Estamos trabalhando para que os números do plano que foi apresentado comecem a mostrar efetividade até abril", afirma. Assim, a entidade espera sensibilizar o governo para que haja uma postergação ou o não aumento dos impostos.

 

Num cenário de incertezas quanto ao consumo e de provável aumento de preços, Macedo afirma que as empresas devem criar programas agressivos de redução de custos e trabalhar categorias menos suscetíveis a variações de volume, que são as voltadas ao público de maior poder aquisitivo. O mercado premium, que ainda engatinha no Brasil, representando 4% a 5% do total, interrompeu sua trajetória de crescimento no País, passando por um período de estabilidade de setembro a novembro, devido a uma volta da classe C às marcas comuns, com a queda da renda disponível.

Diante do futuro nebuloso, o setor reduziu a prioridade de seu plano de estímulo à nacionalização da cevada e do lúpulo, matérias-primas da cerveja. "Para criar sementes tropicalizadas seria necessário investimento de bilhões, além dos custos com uma política de incentivo ao plantio. É um projeto de longuíssimo prazo, que num cenário de insegurança, tende a ser colocado em espera".

Fonte: DCI