11/12/12 - A empresária que apostou no brigadeiro antes dele virar febre

 

Com o sucesso do empreendimento vieram também os concorrentes. Hoje, as lojas especializadas em brigadeiros já estão presentes em praticamente todas as capitais do país

Na cozinha do sítio da avó, em Franca, interior de São Paulo, Juliana Motter aprendeu as primeiras noções do que viria a ser sua profissão no futuro. Os cuidados de Dona Ignês com o preparo das encomendas ficaram gravados na memória da neta. De toda a produção que ajudava a complementar a renda da família, Juliana gostava mesmo era de ver o preparo dos brigadeiros.

A afinidade com o docinho genuinamente brasileiro ultrapassou a infância. Hoje, ela comanda a Maria Brigadeiro, o primeiro ateliêr do país especializado em versões gourmet da guloseima.

“Voltava do sítio com o leite condensado feito pela minha vó e fazia meus brigadeiros”, relembra a empresária. O resultado das incursões de Juliana à cozinha rendeu a ela o apelido que hoje dá nome à loja, localizada na Zona Oeste de São Paulo. “Sempre que havia aniversário, dava de presente. Os meus pais eram meio hippies e incentivavam. Ficou como uma marca minha”, conta.

 

A ligação emocional que criou com o brigadeiro ao longo dos anos extrapolou quando Juliana, já adulta, decidiu abandonar o jornalismo para empreender. “As coisas aconteceram de forma muito orgânica. Foi como um quebra-cabeça que foi se encaixando”, relembra. Depois de ter cursado gastronomia e fazer cursos de capacitação na área de confeitaria, nasceu a Maria Brigadeiro.

O conceito original da loja, inédito ainda tratando-se de brigadeiro, um doce até então condenado às mesas de festas infantis, agradou. No local, é possível encontrar mais de 40 sabores do doce, além de louças e embalagens criativas, que transformam a guloseima em artigo para presentes.

Com o sucesso do empreendimento vieram também os concorrentes. Hoje, as lojas especializadas em brigadeiros já estão presentes em praticamente todas as capitais do País. No entanto, Juliana – precursora do movimento que abriu os olhos da alta gastronomia para o potencial do docinho -, não perdeu mercado. Em sua loja, aproximadamente 5 mil unidades são produzidas diariamente.

Todas elas passam por um rígido controle de qualidade feito por 40 funcionários para assegurar produtos frescos. “Eu fico muito triste quando vejo a desconstrução do conceito do brigadeiro gourmet. Isso não é um benefício. Fazer brigadeiro faz parte da vida de muitas pessoas. Faz parte da minha vida e eu vou honrar o doce. Vou fazer tudo o que eu puder e vou continuar a inovar”, finaliza.

Fonte: Estadão PME