12/11/12 - Interior começa a importar modelo de 'padocas' paulistanas

 

Cidades como São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Franca ganham padarias sofisticadas com multisserviço. Serviços como café da manhã, almoço e happy hour já respondem por até 50% do faturamento dos estabelecimentos

O modelo de negócio das padarias "multisserviço", com café da manhã, almoço, lanchonete e happy hour uma instituição típica da vida paulistana-, começa a alcançar o extremo do interior de São Paulo.

Nas regiões nordeste e norte do Estado, o modelo começou a ganhar força há três anos, embora em cidades como Ribeirão Preto, Franca ou São José do Rio Preto, distantes 300 quilômetros ou mais da capital, ainda não existam as chamadas "superpadocas" como a Sta. Etienne, no Alto de Pinheiros, ou a Boston Bakery, no Itaim Bibi.

Os estabelecimentos seguem modelos tradicionais de São Paulo, como a Requinte, na Penha, ou a Barcelona, em Higienópolis.

São Paulo tem tem cerca de 13 mil padarias e, segundo estimativa da Aipesp (Associação Estadual das Padarias), um terço delas adota o novo conceito.

O presidente da associação, Cássio Luciano Borges Barbosa, diz que o modelo "paulistano" de padaria cresce entre 5% e 10% por ano.

 

"Montar uma padaria desse tipo do início custa até R$ 2 milhões. Uma adaptação, dependendo do projeto e dos materiais usados, chega a R$ 500 mil", diz Barbosa, dono de duas padarias em Piracicaba.

ESPAÇOS GOURMET

Em Ribeirão Preto, o setor começou a modernização em 2009, segundo o presidente do sindicato local das panificadoras, Benedito Ribeiro. "Os donos de padarias perceberam a necessidade de atualizar suas lojas e criaram espaços gourmet".

Braulio Bessa, 36, sentiu isso na prática. Há 12 anos, ele abriu a Villa Sucreê, uma padaria tradicional. Em pouco tempo, migrou para o estilo "paulistano". "O cliente pedia um café, depois começou a querer um almoço".

Sócio da Bella Citta, também de Ribeirão, Jean Riul, 32, diz que a diferenciação leva movimento à padaria durante todo o dia. "Hoje, muitos clientes entram na padaria para tomar café da manhã, voltam no almoço, vêm comer alguma coisa à tarde e, à noite, passam para comprar algo para levar para casa", afirmou Riul.

A Padaria Estrela, em Franca, é uma das que mais se aproximam das "megapadarias" paulistanas. Tem cerca de 130 funcionários. A expansão da Estrela começou em 2006 e ainda não terminou, de acordo com o gerente Alexandre Marques Xavier, 28.

Além de responder por entre 20% e 50% do faturamento das empresas, os serviços incorporados incrementam de 7% a 10% a venda dos outros itens à venda na padaria.

Fonte: Folha de S.Paulo