08/11/12 - Hamburgueria atualmente já precisa ser diferente para fazer sucesso em São Paulo

 

Apenas durante os seis primeiros meses do ano 2,1 mil lanchonetes foram abertas na cidade de São Paulo

Carnes especiais, maionese caseira e atendimento personalizado fazem das hamburguerias uma opção atrativa para quem deseja comer fora de casa. É também uma boa ideia de negócio para quem pretende empreender, desde que o candidato consiga se diferenciar diante de tantas opções à disposição do consumidor atualmente.

E isso não será fácil. As hamburguerias são classificadas de maneira genérica como lanchonetes pela Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp). A entidade informa que apenas na capital foram registradas 4.007 empresas desse tipo em 2011 – alta de 15,9% em relação ao ano anterior, quando foram abertos 3.457 novos negócios. Só no primeiro semestre deste ano, 2.107 empresários optaram pelo segmento para empreender.

Crescimento que pode até parecer estranho hoje em dia. Conforme lembra o consultor de marketing e varejo do Sebrae-SP, Gustavo Carrer, o lanche de hambúrguer vai na contramão da tendência atual: busca por uma alimentação mais saudável. Mesmo assim, o sucesso dessas empresas escora-se nos hábitos do consumidor. Segundo o especialista, diante de tantas pressões para cuidar da saúde e do corpo, as pessoas se permitem concessões rotineiras. É aí que entra a lanchonete. “O hambúrguer tem um apelo muito grande no aspecto da aparência e sabor”, pontua Carrer.

Mas não é permitido ignorar a tendência por alimentos saudáveis. As hamburguerias de sucesso têm no cardápio opções de pratos ‘lights’. “Quem quiser empreender nesse mercado vai encontrar um ambiente de muita competição. É preciso entender a dinâmica do setor”, diz Carrer.

Para prosperar nesse cenário, os amigos Luiz Gustavo Rodrigues de Freitas, Romeu Marujo Filho e Erlon Gomes Costa fizeram a lição de casa. Eles apostaram na qualidade dos alimentos servidos, no atendimento ao cliente, mas acharam um diferencial: a decoração. A lanchonete Jukebox Burguer, localizada no bairro paulistano do Morumbi, é toda ambientada com peças que remetem aos anos 50 e 60.

O local tem até uma réplica da lateral do Cadillac usado por Elvis Presley e uma máquina original de Jukebox - os clientes ganham fichas e podem escolher as músicas que tocam no restaurante. Mais do que isso: uma vez por semana tem banda tocando ao vivo na lanchonete. Desde a inauguração, em dezembro de 2011, o local registra faturamento mensal médio que oscila entre R$ 150 mil e R$ 160 mil.

 

A hamburgueria, porém, não foi o primeiro negócio dos amigos. Freitas tem formação de piloto e trabalhava em Goiás. Mas decidiu empreender por sugestão de Romeu, que atuava na área comercial de um frigorífico quando propôs a parceria ao amigo. Primeiro, eles montaram um restaurante japonês há quatro anos, o Tadashii.

 

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Com o estabelecimento consolidado, surgiu a vontade de investir em um segundo negócio, cujo investimento inicial foi de R$ 1 milhão. “Resolvemos apostar em uma hamburgueria por não ter nada parecido no bairro e porque o negócio estava fazendo sucesso em outros locais”, conta Freitas. Ele e Romeu tiveram a ajuda de Erlon no empreendimento, que atende cinco mil clientes por mês.

Novo modelo. Já o empresário Jorge Boratto, de 44 anos, resolveu montar seu negócio a partir da união de dois conceitos que pareciam não combinar: o gourmet com o fast food. Em agosto, ele inaugurou a Burger Lab na Avenida Paulista. A hamburgueria usa ingredientes preparados artesanalmente, tem uma receita secreta do hambúrguer servido aos clientes e ainda consegue ter padronização e velocidade no atendimento dos pedidos.

Os lanches da Burger Lab não são pré-moldados. É o cliente quem escolhe o tipo de hambúrguer, queijo e os acompanhamentos. Mesmo assim, a lanchonete não descuida do preço. Um combinado com bebida, batata frita (ou anéis de cebola) e lanche com queijo e mais três acompanhamentos custa R$ 21,90