26/10/12 - “Conforme o Brasil continuar crescendo, nós vamos buscar oportunidades aqui”

 

Para Steve Caldeira, da International Franchise Association, mercado consumidor brasileiro é atraente para redes americanas de todos os portes

Com a saturação do mercado americano e o crescimento de países emergentes, as redes de franquias têm procurado oportunidades de expansão fora dos Estados Unidos. E o Brasil está em destaque nesse cenário, afirma Steve Caldeira, presidente da International Franchise Association. A entidade foi fundada em 1960 e representa as franquias americanas – um total de 825 mil estabelecimentos. Caldeira está no Brasil para participar da 12ª Convenção ABF do Franchising, na Ilha de Comandatuba, na Bahia, e concedeu entrevista ao site Pequenas Empresas & Grandes Negócios. Confira.

 

Qual é a importância do mercado brasileiro para as franquias americanas?

É cada vez mais importante, já que o mundo tem se tornado uma economia menor e mais global. Eu acredito que existam 37 empresas americanas fazendo negócio no Brasil. Isso inclui grandes redes como McDonald’s, Burger King, Hyatt, Intercontinental e Pizza Hut. Há uma grande variedade de negócios de alimentação e hotelaria. Na medida em que o Brasil continua a crescer e o mercado dos Estados unidos fica mais saturado, nós vamos buscar oportunidades em outros lugares. E, obviamente, Brasil e China são regiões em que vemos grandes oportunidades para empresas americanas.

 

O que é mais comum: os americanos virem para o Brasil por iniciativa própria ou os brasileiros irem até os Estados Unidos para tentar trazer marcas para cá?

É uma combinação dos dois movimentos. O Departamento de Comércio dos Estados Unidos tem uma divisão que faz missões empresariais. No ano passado, fomos ao Vietnã e à Indonésia. Neste ano, estivemos no Chile, na Argentina e no Panamá. Levamos mais de 25 empresas americanas para esses países para que pudessem prospectar oportunidades. E, sim, há brasileiros que vão aos Estados Unidos para trazer marcas para cá. Eu acho que nós vamos continuar a ver isso. Mas o crescimento dos negócios não está vindo de uma só área. É uma combinação de fatores. O mercado americano está saturado, a economia global está como está, o mundo está menor por causa da tecnologia e da velocidade dos negócios hoje. E os empreendedores dos dois lados estão procurando oportunidades.

Nós gostaríamos de ter mais empresas brasileiras nos Estados Unidos, mas também queremos que as nossas empresas cresçam. E, se elas veem oportunidades na Indonésia, na China, no Panamá, nós vamos atrás.

 

Há mais empresas grandes vindo para o Brasil ou é possível que redes menores apostem no crescimento por aqui?

Existem, claro, as grandes redes de alimentação. Mas também há negócios menores, emergentes, que têm apenas 15 ou 20 unidades. Eles veem outros países como oportunidades de crescimento e de marketing ao mesmo tempo. Então vamos continuar vendo empresas emergentes procurando oportunidades em outras regiões.

 

O que é mais atraente no Brasil para as redes de franquias? O mercado consumidor? O tamanho do país?

São as duas coisas. A economia brasileira vai bem. Pode ter desacelerado um pouco, mas isso aconteceu com a maioria, incluindo a China e, certamente, os Estados Unidos. Mas eu acho que é uma combinação do crescimento com as oportunidades que as empresas veem no Brasil. É uma economia forte, melhor do que a maioria. Então continuaremos a procurar as oportunidades. Quanto mais pudermos fazer negócios com nossos amigos do Brasil, nas duas direções, melhor ficarão os dois países na economia global. Nós precisamos criar empregos, crescimento e oportunidades.

 

E quais são as maiores dificuldades em vir para o Brasil?

É preciso fazer a due dilligence. Entender quanto tempo demora para abrir um restaurante ou um hotel. Eu sei que o Brasil poderia fazer mais para acelerar o processo. Nos Estados Unidos, nós somos mais rápidos, seja para emitir as licenças ou determinar zoneamento. Ou mesmo no processo de abertura e de fechamento de empresas. O Brasil fez um trabalho tão bom para fazer o país crescer. Uma das coisas que eu diria, com respeito, é para que vejam o tempo de abertura de negócios e se há algo que possa acelerar o processo, capacitar e motivar empresas e empreendedores de modo que queiram vir para o Brasil.

 

Fonte: PE&GN