17/10/12 - Recompra de franquia traz riscos e oportunidades

 

Muitas vezes, o empreendedor que decide investir o seu capital em uma franquia acredita que esse pode ser um negócio para a vida toda. Mas isso não é uma regra. Em alguns casos, seja por estratégia ou mudança de posicionamento, a franqueadora pode propor a recompra do negócio.

A lei de franquias não determina quais itens devem fazer parte do contrato entre as partes, mas é importante que o documento estabeleça os direitos e deveres de ambos. Por isso, para analisar os riscos e benefícios de se investir nesse mercado, o melhor a fazer é analisar o contrato. "O risco existe, e faz parte do negócio", afirma Maurício Galhardo, sócio-diretor da Práxis Education, consultoria especializada de franchising, de São Paulo.

Para ele, o empresário deve ter claro que a franquia não é dele. "Ele está comprando uma permissão para utilizar uma marca. A loja em si é dele. Mas todo o resto é de uma franqueadora. Por isso mesmo, ele paga para usar tudo isso", aponta Maurício.

 

Nesse relacionamento, também podem ocorrer mudanças de estratégia. Maurício aponta que algumas redes optam por franquias para ter mais agilidade na expansão da marca. "Assim, eu tenho um investidor local, e sei que, fazendo bem ou mal o trabalho, a minha marca chegou àquela região", exemplifica. "Já vi muita gente que faz isso. Depois que o negócio explode, e ele percebe que tem praças muito boas, vai lá e recompra", completa.

A rede carioca Memorial Saúde recomprou em 2008 uma de suas unidades franqueadas no Rio de Janeiro por US$ 2,5 milhões, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising. Para 2012, a rede não apresenta planos de expansão por meio de franquias. "Vamos focar nas franquias que já temos. Tivemos a procura de pessoas do Paraná e da Bahia, mas esse não é o foco da rede no momento", afirma Pasquale Caruama, superintendente do grupo Memorial Saúde.

"Talvez as marcas de saúde que trabalham com franquia tenham pensado na expansão por esse modelo por questão de velocidade", aponta Maurício. Para ele, a ascensão da classe C, público-alvo de planos de saúde como da rede Memorial, pode ser uma das causas para esse tipo de expansão. "Por outro lado, chega um momento que a franqueadora percebe que o mercado em determinado lugar é muito maior do que imaginava. E resolve recomprar esse escritório", exemplifica.

A recompra também pode estar ligada a uma mudança de posicionamento ou estratégia da marca. Um exemplo é a rede de fast-food Burger King. Em 2011, a masterfranqueadora BK Brasil, joint-venture formada pela Vinci Partners e pela Burger King Corpopration, comprou a franqueada BGK, que atuava na região metropolitana de São Paulo com 41 restaurantes e 16 quiosques de sobremesa.

 

Negociação da venda

Maurício conta que, na maioria das vezes, a proposta de recompra ocorre antes do vencimento de contrato. "Eu já vi algumas situações de pegar as melhores praças e recomprar as unidades que estão melhores", afirma. Uma vez recebida a proposta, o franqueado não deve tentar recorrer, aconselha ele. "É como um pedido de divórcio. Por mais que um não queria, a situação fica insustentável", aponta.

O melhor a fazer é buscar negociar um bom acordo de venda. "Não vale ficar mais um ano, sendo que terá que entregar. Negocie o preço para chegar a um acordo", aconselha Maurício. O ideal é buscar um valor que pague o investimento feito. "Deve-se buscar o que acredita ser justo, e dentro do contrato. Muitas vezes, aquele é o dinheiro da vida da pessoa. Mas ele deve entender que é o fim", alerta.

Mas a recompra também pode ser vista como uma oportunidade para o início de um novo negócio. Uma vez que a franqueadora fez a proposta, muitas cláusulas de exclusividade no setor, por exemplo, podem cair. "Ele pode abrir outra franquia do mesmo segmento. Dos males, às vezes, não é tão ruim assim", pondera.

O preço pago pela franqueadora nessa transação também costuma ser maior do que o valor de mercado do negócio, o que pode tornar a situação uma boa oportunidade financeira para o empreendedor. "Quando a franqueadora tem essa intenção, muitas vezes paga mais do que vale, até para não ter a dor de cabeça", afirma Maurício.

Na recompra da franquia em 2008, o franqueado da Memorial Saúde recebeu uma quantia vantajosa em vista do investimento de R$ 70 mil feito em 2003, quando se tornou franqueado da rede.

 

Fonte: Terra