01/10/12 - Garapa engarrafada chega a bares e restaurantes

 

Empresário desenvolveu produto com ajuda do Sebrae. Previsão é faturar R$ 500 mil já no próximo ano

A tradicional garapa, ou caldo de cana, já pode ser levada para casa engarrafada. O produto foi lançado por um empresário em Alumínio, no interior de São Paulo. Rafael Luques teve a ideia e fez pesquisas até no exterior.

“O que nós encontramos lá fora foi um produto com 10% ou 15% de suco natural e restante com mistura de água, conservantes, saborizantes.O nosso produto não. É completamente 100% natural e sem nenhum tipo de conservante. É o puro caldo de cana que sai do garapeiro numa garrafinha pra sua casa”, conta Luques.

O empresário investiu R$ 100 mil desde os primeiros testes em laboratório, até a aprovação final do produto. Para abrir o negócio, ele recorreu ao Sebrae, onde recebeu consultoria jurídica e orientações sobre o planejamento da fábrica e gestão da empresa.

“Ele acabou passando por uma consultoria jurídica, para que a gente pudesse ajudá-lo na questão do registro de produto e estabelecimento. Nesse momento entrou a consultoria de agronegócio, por se tratar de um registro junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento”, conta Luiz Petreca, do Sebrae de Sorocaba/SP.

 

A cana é lavada com água e cloro. Depois, vai para a moagem, onde o líquido é extraído do modo tradicional. A pequena máquina produz até 400 litros do caldo por hora. Sustentabilidade é a palavra chave na indústria: o bagaço abastece a caldeira que aquece a água da fábrica.

O maior desafio foi aumentar a durabilidade do produto. O processo de produção foi desenvolvido em um ano com ajuda do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) Rafael não revela o segredo. A fabricação do suco começa pelo controle do teor de açúcar.

O caldo da cana é processado e colocado em garrafas de vidro de 300 ml. As embalagens passam pelo processo de pasteurização, onde o produto é aquecido para eliminar microorganismos e resfriado logo em seguida.

O lote passa por um rigoroso controle de qualidade: nenhum resíduo da cana é permitido. Hoje, a fábrica produz 100 mil garrafas por mês, mas tem capacidade para até 1 milhão.

“Atualmente, a gente está faturando aí em torno de R$ 100, R$ 150 mil por mês. A expectativa aí é a gente faturar, já para o ano que vem, R$ 500 mil”, diz Rafael.

Depois que as embalagens são conferidas uma a uma, as garrafas irão receber os rótulos e depois o caldo de cana estará pronto para ser vendido. E o fabricante afirma que o produto pode ser consumido em até 6 meses sem qualquer refrigeração.

Para consolidar o negócio, o objetivo da empresa é melhorar o gerenciamento e buscar novos mercados. “Ele vai ser inserido, a partir de janeiro, em um programa de gestão da qualidade, no qual a gente vai acompanhar todo o processo de qualidade de gestão, qualidade de processo e produto, e a qualidade de relacionamento com o cliente já visando o mercado”, diz Petreca, do Sebrae.

 

Na pastelaria

O suco de cana 100% natural é vendido na pastelaria de Maurício Télo, em Sorocaba. A combinação do caldo de cana com o pastel é perfeita. Ele diz que a garapa de garrafa traz mais praticidade ao negócio. Na pastelaria, a garrafinha custa R$ 3,90.

“Eu tinha uma máquina de caldo de cana na pastelaria que demandava um funcionário só para moer a cana, e a gente tinha que ter um reservatório especial, refrigerado pra guardar as canas que a gente já comprava beneficiada. Era um trabalho que no final não valia a pena, não compensava porque o caldo de cana engarrafado é o mesmo sabor, só que mais prático”, diz Télo.

 

Fonte: G1