22/09/12 - Brasileiro é acusado de usar informação privilegiada sobre o Burger King nos EUA

 

Um brasileiro de 42 anos está sendo acusado pela SEC, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) norte-americana, de usar informações privilegiadas para lucrar com ações da companhia Burger King nos Estados Unidos em 2010.

Em decisão divulgada na quinta-feira, uma corte em Nova York acatou o pedido do órgão americano e ordenou o congelamento do patrimônio do executivo brasileiro, que trabalhava para o banco Wells Fargo, em Miami, na época da transação com os papéis da cadeia de fast food.

De acordo com a investigação da SEC, o acusado soube que o fundo 3G Capital, controlado por empresários brasileiros, planejava comprar o Burger King meses antes da conclusão e do anúncio oficial da transação, em setembro de 2010.

Ele obteve a informação por meio de um cliente que atendia no banco e que, por sua vez, era um dos investidores do fundo 3G Capital.

Ao saber da notícia, o funcionário do banco negociou ações da companhia, entre maio e setembro de 2010, obtendo lucro de US$ 175 mil, ainda de acordo com a SEC.

Além de usar a informação para fazer operações em seu nome, o brasileiro teria aconselhado quatro clientes a negociarem os papéis do Burger King na bolsa americana.

Em um dos e-mails interceptados pela SEC, que fazem parte da denúncia, o acusado teria dito a um de seus clientes no banco, um gestor de fundos de hedge: "Estou no Brasil com uma informação que não dá para mandar por e-mail...É imperdível".

O lucro combinado do acusado e desses clientes com as transações na bolsa chegaria a US$ 2 milhões.

 

ABANDONO

Segundo informações da SEC, o acusado abandonou seu emprego nos Estados Unidos no último dia 13 de setembro. Desde maio deste ano, o brasileiro trabalhava para o banco Morgan Stanley Smith Barney.

Nas últimas semanas, ele também teria colocado sua casa em Miami à venda e transferido todos seus bens para fora dos Estados Unidos.

"Os e-mails e outras comunicações podem ter sido enviadas do Brasil e escritas em português, mas nosso comprometimento em julgar o uso de informações privilegiados nos mercados

dos Estados Unidos não conhece barreira geográficas nem de língua", afirmou Sanjay Wadhwa, um dos representantes da SEC em Nova York.

Após o congelamento de bens do brasileiro, feito para impedir que transfira seu patrimônio para outros países, a SEC diz que continuará as investigações.

A CVM informou estar colaborando com as investigações do órgão. No entanto, disse que não comenta casos específicos.

Procurada pela Folha, o 3G Capital não se pronunciou. (MARIANNA ARAGÃO)

 

 

Fonte: BOL