06/09/12 - Nicho de agregadores de delivery exige alto investimento

 

Ter um negócio na internet é um sonho de boa parte dos futuros empresários. De acordo com a consultoria e-bit, o montante de vendas online cresceu 21% no primeiro semestre de 2012. No total, os internautas gastaram cerca de R$ 10 bilhões em lojas na web. Mas, apesar das facilidades e vantagens, existem dificuldades que devem ser medidas antes de se abrir um negócio. Um bom site pode exigir altos investimentos em tecnologia para desenvolvimento, manutenção e aperfeiçoamento do serviço.

Para colocar em funcionamento o iFood, site que faz a ponte entre os internautas e o serviço de entrega dos restaurantes, o empresário Felipe Fioravante e seus sócios contaram com o aporte financeiro da Warehouse Investimentos. A parceira injetou cerca de R$ 3 milhões na ideia dos empresários.

O iFood acaba de completar um ano de funcionamento. Hoje, o site tem mil restaurantes cadastrados, em oito cidades do país, e realiza cerca de 32 mil pedidos por mês. A empresa espera fechar o ano com faturamento bruto de R$ 1,3 milhão. A expectativa para 2013 é dobrar faturamento, o número de pedidos e de restaurantes inscritos.

 

A renda do portal vem da taxa de 10% que o restaurante paga sobre cada pedido efetuado por meio da plataforma. Além disso, o estabelecimento tem o custo de uma taxa mensal referente a uma máquina que é instalada para receber os pedidos. O aparelho imprime em tempo real o pedido que foi registrado na internet.

Para Felipe, sobreviver neste mercado não é fácil e exige que o negócio tenha diferenciais. "A gente percebe que muitos dos nossos concorrentes têm restaurantes parceiros, mas não conseguem gerar pedidos para eles. Ou até têm acesso, mas não têm variedade de opções para o consumidor. Isso acontece porque a área do marketing é um grande desafio", afirma. "Para nos destacarmos, fechamos parcerias exclusivas com alguns restaurantes. E desenvolvemos aplicativos para dispositivos móveis com sistemas operacionais Android e iOS."

 

Jánamesa

De olho no mercado brasileiro, o grupo alemão Mountains Partners lançou por aqui o agregador de delivery Jánamesa. No ar desde abril, conta com o cadastro de 750 restaurantes localizados na cidade de São Paulo. De acordo com Bruno Mengatti, diretor executivo do Jánamesa, até o final do ano o site incluirá restaurantes cariocas e terá aplicativos para os sistemas operacionais Android e iOS.

O portal recebe mensalmente cerca de 60 mil acessos. Para 2013, a expectativa é que o número de acessos chegue a 3 milhões por mês e que o serviço seja estendido para o Rio de Janeiro e Brasília. "Antes de lançar uma nova cidade, procuramos ter uma boa base de restaurantes que possam atender à clientela", afirma Bruno.

Segundo o empresário, um dos diferenciais do agregador é a plataforma corporativa. "Companhias que fazem reembolso de alimentação para colaboradores que trabalham até mais tarde podem liberar um crédito para que o empregado faça seu pedido por meio do Jánamesa", explica.

A receita do portal é gerada por meio de uma taxa de conveniência que é cobrada do restaurante. De cada pedido, o Jánamesa ganha 10%.

 

Deliveria

Os idealizadores da Deliveria mudaram o rumo do negócio quando sentiram a dificuldade para conquistar um aporte de investimento. Todos os sócios são da área de design e desenvolvimento para internet. No entanto, além da mão de obra, há muitos investimentos a serem feitos em tecnologia e infraestrutura para tornar a plataforma atraente. Os empresários procuraram um investidor que oferecesse um aporte para financiar as melhorias. O dinheiro não veio e o projeto inicial, que nasceu em 2009, foi modificado. Hoje, o portal funciona como uma espécie de banco de dados com 2,2 mil contatos de restaurantes com delivery.

"Comprar os equipamentos do sistema completo e até as máquinas para os restaurantes receberem os pedidos que feitos online exigia um investimento que nós não tínhamos na época", explica Glauber Rodger, sócio do Deliveria. "Por isso, mudamos a estratégia e decidimos fazer um agregador de todos os deliveries. O restaurante não tem custo nenhum para estar no nosso site."

A ideia dos sócios é fazer o Deliveria gerar receita em 2014. Os sócios pretendem lançar serviços de publicidade para os estabelecimentos. "Vamos ter um serviço de promoções para o restaurante. Por exemplo, o parceiro poderá lançar suas promoções de entregas ou brindes dentro do nosso site. Mas isso teria um custo", planeja. "Além disso, os restaurantes poderão fazer uma assinatura de buscador com prioridade de resultados de acordo com a localização dos clientes."

 

Fonte: Terra