06/09/12 - Alimentos sustentam o fôlego da inflação

 

IPCA cai de 0,43% em julho para 0,41% em agosto, mas índice é o maior para o mês desde 2007. Quebra de safra e seca nos EUA vão continuar pressionando os reajustes de preços

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país e medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fechou agosto em 0,41%, maior percentual para esse mês desde 2007 (0,47%). O resultado é pouco inferior ao apurado em julho (0,43%), mas acima do registrado em agosto de 2011 (0,37%) e da média esperada pelo mercado (0,40%).

O índice em agosto ajudou o indicador a se afastar do centro da meta estimado pelo Palácio do Planalto para 2012 (4,5%) quando levado em conta o acumulado dos últimos 12 meses (5,24%). O acumulado no mesmo período encerrado em julho havia sido de 5,2%.

Os preços dispararam em agosto em função da quebra de safras importantes nos Estados Unidos e no Brasil. Enquanto a inflação média do país ficou em 0,41%, a carestia do grupo alimentação e bebidas registrou elevação de 0,88%.

Para especialistas, essa alta é apenas o começo. Os atacadistas ainda não repassaram os aumentos de custo que tiveram nos últimos meses para o consumidor, um movimento que deve ocorrer na segunda metade do ano, sobretudo com a melhora do ritmo da atividade econômica.

Para o economista Pedro Paulo Silveira, da corretora TOV, a inflação pode chegar a 5,6%. “Pelas expectativas de mercado, a inflação deve subir dos atuais 5,2% para até 5,9% no ano que vem (o centro da meta de 2013 também é de 4,5%), para depois se desacelerar.

Essas expectativas têm total aderência com o que esperamos para o comportamento dos preços internacionais de commodities agrícolas, petróleo, nível de atividades no Brasil, comportamento do mercado de trabalho e, finalmente, para o dólar. Todas essas variáveis estarão colaborando mais para a inflação subir do que fizeram ao longo dos últimos meses”, frisou.

“O IPCA mostrará comportamento mais pressionado no segundo semestre, a despeito de alguns alívios pontuais, como recreação (normalmente bastante volátil) e alimentação, observados em agosto. A partir de setembro, o repasse da alta do preço internacional dos grãos para a inflação doméstica ao consumidor deve se intensificar, ainda que a acomodação da atividade econômica ajude a manter inflação de serviços mais controlada”, avaliou Octavio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

Dragão na mesa Vilão da alta em agosto, o grupo alimentação e bebidas foi pressionado pela disparada do preço do tomate, cuja safra deste ano foi afetada por problemas climáticos em São Paulo e no Sul do país. Para se ter ideia, o quilo do fruto subiu 18,96% em agosto e 71,46% nos últimos 12 meses.

O quilo do tomate só deve voltar ao normal em outubro, prevê analistas da Ceasa, o maior entreposto comercial de Minas Gerais. “O grupo alimentação e bebidas sozinho representou mais de 50% da inflação de agosto. Nesse item, o tomate ainda reina absoluto”, reforçou André Guilherme Pereira Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.

Mas o tomate não é o único pesadelo da equipe econômica da presidente Dilma Rousseff. “Outro item que vem tirando o sono do Banco central – e colocado os economistas de mercado em alerta máximo – é a evolução do salário de empregado doméstico.

Subiu 1,11% contra 1,31% do mês anterior e foi o segundo maior impacto na inflação representando 10%. Sobre esses dois itens (tomate e empregados domésticos), reitero comentários anteriores. No caso do tomate, a nossa expectativa é de que tenha vida curta esta inflação. (…) A safra de tomate é de ciclo curto”, sustenta André.

No caso do custo com os empregados domésticos, ele tece dois comentários. “Primeiro é observar que a pressão de salários deve diminuir com a queda do dinamismo do Produto Interno Bruto (PIB) ora em curso. Lembremos que as projeções para o crescimento de 2012 caíram vertiginosamente e que os salário pararão de subir com o fim da queda do desemprego.

 

Outro ponto importante é observar que o salário de empregados domésticos representa uma parcela muito elevada do IPCA. Logo, cada aumento no salário da população de baixa renda impacta sobremaneira na inflação oficial”.

 

BH tem recuo, mas tomate ainda pesa

Assim como no Brasil, a inflação em agosto na Grande Belo Horizonte também caiu, na comparação entre agosto e julho: 0,37% contra 0,39%. O resultado foi abaixo da média nacional (0,41%), mas no acumulado dos últimos 12 meses o indicador na capital mineira atingiu 5,66%, acima dos 5,24% registrados no país. Por outro lado, ao contrário do ocorrido no país, esse indicador de 5,66% ficou menor do que o que havia sido apurado no acumulado dos 12 meses encerrados em julho (5,75%).

Há coincidência entre o IPCA de Belo Horizonte e o do Brasil, porém, quando analisado o vilão do aumento de preços. Novamente entra em cena o tomate, cuja variação em agosto foi de 28,35%. Alguns sacolões da capital negociam o quilo do fruto a R$ 5, o mesmo cobrado por igual quantidade da carne de frango. O tomate fez o grupo alimentação e bebidas a registrar o maior percentual na Grande BH, com alta de 0,95% em agosto.

Outros itens também tiveram alta considerada. “No grupo vestuário, a maior variação foi roupa feminina (2,06%), com o subitem calça comprida tendo a maior variação (3,47%). Esse mesmo subitem foi o que teve maior impacto também no item de roupa masculina, cuja variação de 1,31% foi, em grande parte, elevada pela calça comprida (3,51%). Já o item joias e bijuterias apresentou variação de 1,21%, com aumento de 3,68% no subitem bijuteria”, informou o relatório do IBGE.

Já no grupo educação, as maiores alterações ocorreram em papelaria (2,51%, sendo puxado, sobretudo, pelo valor dos cadernos (2,94%) e cursos diversos (1,64%). Vale lembrar que o semestre letivo começou em agosto.

 

Fonte: Estado de Minas