10/08/12 - "Aeroshopping" é tendência nos aeroportos brasileiros

 

A exploração de pontos comerciais e serviços nos aeroportos fornece hoje 35% dos recursos para o financiamento de projetos da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), que administra a maioria das instalações deste tipo no país.

De janeiro a junho deste ano, a receita com aluguel desses espaços nos complexos aeroportuários para publicidade e locação de lojas já havia rendido à estatal perto de R$ 124,4 milhões, crescimento de 24,33% e 27,43%, respectivamente, em relação a igual período do ano passado. Com o advento da Copa de 2014 e da Olimpíada em 2016 a previsão é que essas áreas terão mais expressividade.

Os resultados comprovam como os aeroportos não podem mais se dar ao luxo de ser meros espaços para pouso e decolagem de aviões. "O conceito de aeroshopping nasceu em 2002, a partir de estudos de tendências, mas ficou adormecido e agora o estamos resgatando", afirma Claiton Resende Faria, superintendente de Negócios Comerciais da Infraero.

 

Faria diz que os aeroportos administrados pela Infraero são, hoje, grandes canteiros de obras. "Estamos aumentando e modernizando as instalações. As receitas, para tanto, podem vir, em grande medida, do varejo e atividades correlatas". No Brasil e em toda a América Latina, porém, essa atividade aeroportuária ainda é tímida. Na Europa, 49% do faturamento dos aeroportos vem das receitas de não-aviação.

Mas nem sempre foi assim: "Em 2000, na Europa, apenas 30% das receitas dos terminais aéreos vinham de fontes não ligadas à aviação. Tivemos de trabalhar e evoluir para chegar à atual porcentagem", afirma Paula Santos, executiva portuguesa da empresa IB2G Airport Consulting.

Maior margem operacional e menor regulação são algumas das vantagens das receitas não obtidas da aviação para os aeroportos e para as empresas que os administram. Tais atividades contribuem para a satisfação dos passageiros, tornando o local mais acolhedor aos usuários.

 

Free shops

Os tipos de lojas que podem ser encontradas nos modernos aeroportos envolvem, por exemplo, food service. Lanchonetes e restaurantes são uma das fontes mais frequentes e expressivas de receitas não-aéreas para os aeroportos, em especial nos terminais menores e sem conexão internacional. Nos maiores, como Cumbica, em Guarulhos (SP) e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, as lojas de compras livres de impostos (conhecidas como free shops) contribuem com grande parte dos recursos.

Recentemente, a Infraero anunciou que pretende inaugurar até o final de 2012 lanchonetes com preços populares. A estatal quer introduzi-las ao menos nos terminais das cidades-sede da Copa de 2014 que administra. A empresa também levou a proposta aos concessionários dos aeroportos privatizados - Guarulhos (São Paulo), Viracopos (Campinas) e Brasília -, mas as empresas têm liberdade de aderir, ou não, ao projeto.

 

Publicidade

Os ganhos com publicidade nos terminais são outra grande fonte de renda. Júlio César Giovannetti Netto, executivo da Via Mais, empresa que comercializa mídia em aeroportos, vê este setor como promissor no Brasil, mas alerta para alguns entraves que ele enfrenta: "As licitações usadas nos aeroportos brasileiros para a venda de espaço de publicidade em suas instalações são inadequadas.

A publicidade tem uma dinâmica e uma agilidade que não são atendidas pelo processo licitatório". Giovannetti conta que o faturamento bruto total da mídia externa no Brasil - categoria na qual a publicidade em aeroportos está inclusa - corresponde a 3% de tudo que se gasta com publicidade no País. Em 2012, isto deve corresponder, segundo ele, a mais de R$ 1 bilhão.

As informações apuradas pelo DCI foram levantadas durante o evento Aeroinvest 2012 - 3º Fórum Internacional de Investidores em Infraestrutura Aeroportuária, em São Paulo. Nuno Moreira, da operadora aeroportuária portuguesa ANA, afirmou no encontro que a empresa deve ser privatizada ainda este ano, a exemplo da companhia aérea TAP. O diretor de Projetos da Fraport, Felix Von Berg, que também estava no evento, revelou que a companhia alemã deve participar da disputa pela ANA.

 

Fonte: Intelog