09/08/12 - Brasil faz McDonald's colocar o pé no freio

 

Rede abriu 52 restaurantes no país nos últimos 12 meses, mas receita no trimestre foi 9% menor que a registrada no mesmo período do ano passado, afetada sobretudo pelo real mais fraco

Assim como gigantes como a Vale a Petrobras, o McDonald's terminou o segundo trimestre do ano amargando a desvalorização do real. Em balanço divulgado ontem, a Arcos Dorados, controladora da maior rede de fast food do mundo na América Latina, divulgou que a receita da empresa diminuiu 9% no país entre abril e junho, em comparação ao mesmo período do ano passado.

É verdade que os 419,7 milhões de dólares embolsados por aqui representam quase metade do que a cadeia de lanchonetes vende na região. Mas os números entregues pela divisão brasileira dos negócios deixam claro que não foram os nossos consumidores que puxaram o tímido crescimento de 1,8% na receita total do grupo, que chegou a 904,2 milhões de dólares.

 

Pelo contrário: apesar da rede ter aberto 52 unidades nos últimos 12 meses, alcançando 677 restaurantes no Brasil, a depreciação da moeda e desaceleração do consumo no país fizeram a Arcos Dorados revisar, inclusive, suas projeções para o ano em todas as suas operações.

Agora, a expectativa é que o ebitda (lucro antes de pagamento de juros e impostos) aumente entre 8% e 10%, contra um percentual de 12% apresentado no começo de 2012. Só entre abril e junho, o indicador caiu 0,9% sobre o mesmo período do ano passado, chegando a 67,3 milhões de dólares. A moeda brasileira, em comparação, ficou 23% mais barata em relação à americana.

Na prática, quanto mais acentuada essa queda, maior se torna o custo da importação para a cadeia de lanchonetes, diminuindo a margem de produtos como os brinquedos que compõem o McLanche Feliz. Como o Brasil tem um peso grande nos negócios da Arcos Dorados, o movimento impacta diretamente o balanço da companhia. Não por menos, o lucro líquido da Arcos Dourados foi de 12,1 milhões de dólares no segundo trimestre, 14,8% menor que o registrado em igual período de 2011.

"Nossas operações continuam a ser muito fortes ", disse Woods Staton, CEO da empresa. "No entanto, dada a recuperação mais lenta que o esperado no Brasil, bem com a expectativa que a moeda vá permanecer fraca no país, estamos revisando nossas estimativas para o ano inteiro", admitiu o executivo no balanço da companhia.

 

Fonte: Exame