02/08/12 - Burger King corta custos e fica mais saudável

 

Se há algo visível nos bons resultados do segundo trimestre da rede americana Burger King, apresentados ontem ao mercado, são as decisões tomadas nos últimos meses pelos gestores do negócio - controlado pela empresa de investimentos 3G Capital. A rede de restaurantes, presidida pelo executivo Bernardo Hees, tem entre os seus sócios os brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Hermann Telles e Carlos Alberto Sicupira.

Ontem (01/08), a empresa publicou resultados acima do previsto pelos analistas americanos (apenas um ficou abaixo), com alta de 59,6% no lucro líquido de abril a junho, quando o valor atingiu US$ 48,2 milhões (no semestre, a alta foi de 157,2%). A margem Ebtida (ajustada) cresceu de 6,6 pontos ao atingir 31,8% no período. Nos países da América Latina e região do Caribe, que inclui a operação brasileira, as vendas cresceram 9,4%, e a soma do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) subiu 18%, para US$ 17,1 milhões. A expansão nas vendas na região latina registrou a maior taxa de crescimento entre todas as áreas geográficas.

Analistas ressaltam que a empresa entregou resultados apesar da queda nas vendas globais no segundo trimestre. O montante atingiu US$ 540,8 milhões, retração de 9,2% em relação a 2011, que reflete questões não ligadas à atividade da rede, como efeitos da variação cambial e a venda de restaurantes próprios do grupo para franqueados, num processo de transição que pode afetar esse indicador temporariamente.

De acordo com o relatório de resultados, a melhora de desempenho pode ser explicada por duas ações paralelas. A empresa implementou mudanças consideráveis no cardápio dos restaurantes nos Estados Unidos e Canadá, algo que vinha sendo estudado pela companhia há cerca de dois anos. Também foram tomadas medidas de forte redução de despesas operacionais (de material de escritório a pagamento de benefícios a empregados), com impacto direto na última linha do balanço. São medidas que tornaram a operação mais rentável por razões diferentes.

 

A mudança no cardápio, com opções mais saudáveis como smoothies (bebidas geladas com frutas), frapês e wraps (sanduíches em pão folha), melhorou o desempenho das "mesmas lojas", consideradas as mais antigas e de crescimento estável. As vendas nesses pontos nos EUA e Canadá cresceram 4,4% de abril a junho, acima da alta de 3,6% nas vendas mesmas lojas do McDonald's no período. "Nos EUA e Canadá, o nosso foco no menu, na imagem dos restaurantes, nas operações e na comunicação está começando a gerar resultados tangíveis", comentou em relatório Hees.

Sobre a extrema atenção aos custos, a forte queda no indicador (as despesas caíram 17% de abril a junho, com um corte de US$ 63,5 milhões) era esperada pelos analistas de mercado nos Estados Unidos, cientes da postura dos controladores, focada em rígida apuração de gastos e valorização de profissionais que batem metas agressivas. Desde o começo do ano, o Burger King apurou uma redução de 9,1% nas despesas, quando o montante caiu de US$ 725,9 milhões para US$ 659,7 milhões.

 

Fonte: Valor Econômico