Para presidente da Unecs, Paulo Solmucci, a verticalização é um problema que afeta o preço final de produtos e serviços vendidos

Em audiência pública realizada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) nesta terça-feira (13), representantes de credenciadores independentes criticaram o que consideram abusos de mercado. As empresas pediram ao órgão e ao Banco Central (BC) alterações nas normas para meios de pagamento para coibir a verticalização.

Para esse grupo, os reguladores precisam limitar a possibilidade de instituições financeiras serem donas de bandeira de cartões, emissores e adquirentes, o que é conhecido como verticalização. Para eles, essa medida é essencial para fomentar a concorrência e coibir aumentos de preços e tarifas.

O presidente da Unecs (União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços), Paulo Solmucci, afirmou que a verticalização é um problema que afeta o preço final de produtos e serviços vendidos. Ele declarou que, com custos maiores,os empresários são obrigados a repassar as taxas para o valor das mercadorias, e pediu "atuação enérgica" do Cade e do BC.

"Quem apita o jogo está vinculado a um time"

O economista-chefe da Stone, Vinícius Carrasco, afirmou que não está claro que existam ganhos de eficiência com a verticalização, como defendem representantes de instituições financeiras tradicionais. Ele era um dos palestrantes da audiência pública.

Temos no Brasil bandeiras controladas por bancos, que controlam credenciadoras", afirmou. Ele usou uma metáfora futebolística para descrever a situação no Brasil. "Quem apita o jogo está vinculado a um time de futebol. Isso dificulta a entrada de novos players no mercado. Pagamentos não é um negócio bancário, mas a governança é bancária", disse.


Fonte: UOL Economia