24/07/12 - Investindo na diferenciação

 

De olho em um mercado que registrou vendas de aproximadamente R$ 63 bilhões no último ano

Empresários brasileiros do ramo da panificação estão expandindo seus negócios e transformando as tradicionais padarias em grandes empórios. São investimentos em conforto, ambientes distintos, produtos sofisticados e refeições completas, tudo em busca da ampliação e fidelização do novo leque de clientes.

A Bella Paulista, aberta em 2002, já passou por reformas de fachada e de ambiente, mas, desde sua inauguração, nunca fechou. Com localização privilegiada -na esquina da Rua Haddock Lobo com a Rua Luís Coelho, a uma quadra da Avenida Paulista-, a padaria funciona 24 horas e recebe cerca de seis mil pessoas todos os dias.

"Para ter esse ritmo de funcionamento nós oferecemos desde o buffet de café da manhã, passando pelas opções de almoço e jantar, que incluem pratos e lanches, até a mesa de sopas, que funciona durante toda a madrugada", conta Fabrício Resende, administrador e gerente da Bella Paulista.

 

O empreendimento conta com espaços específicos, como boulangerie, gelateria, laticínios e adega. Além do tradicional pão francês, o brownie e os buffets de sopas também são carros-chefes da casa, que apresentou crescimento entre 10% e 15% nos últimos anos. A cozinha oferece lanches, pizzas e pratos rápidos, mas também um cardápio elaborado que inclui risotos, massas, carnes, peixes e saladas.

Já na região do Ipiranga, a Maria Louca Casa de Pães funciona há dois anos em um amplo salão de 550 m² na Rua dos Patriotas. Com um pé-direito alto e na parede um grafite inspirado em uma fotografia de São Paulo no início do século XX, há ali mais de dois mil itens à venda. "Acho que nosso maior diferencial é a estrutura física. Tudo o que oferecemos tem conforto, arquitetura e ambientes distintos, sem contar a boa linha de produtos", diz Luis Alberto Siso, proprietário do estabelecimento.

É o primeiro empreendimento de Siso no ramo e o crescimento vem sendo exponencial. Funcionando até a meia-noite, o pão francês é o produto mais vendido e todas as receitas da padaria são próprias.

Siso conta que quer receber todo tipo de cliente na loja. "O público principal é a classe média, mas a padaria é um ambiente muito democrático. Quem vem comprar só um pão francês também é muito bem-vindo", assegura.

Cada produto é tratado individualmente, e a casa tem ambientes bem divididos, como a lanchonete e a confeitaria, com doces sofisticados. Em 2012 os investimentos do empresário são na indústria e tecnologia, pensando até em futuramente abrir novas unidades.

Em outro ponto da cidade, na Vila Madalena, a chefe de cozinha Julice Vaz inaugurou em fevereiro do ano passado a Julice Boulangère, empreendimento que levou quase três anos para sair do papel e procura resgatar o pão artesanal de outras épocas, ainda típico em outros países. Antes professora de Inglês, Julice decidiu mudar de profissão depois do nascimento de seu segundo filho. Apostando na exclusividade de seus produtos, a empresária decidiu abrir o estabelecimento depois de fazer um curso de gastronomia nos Estados Unidos.

O conceito adotado no local traz área ao ar livre, música, ambiente para degustação e 48 tipos diferentes de pão. Entre os mais vendidos, receitas que não são encontradas com facilidade em outros locais, como o pão de linhaça com castanha-do-pará, o de figo seco com queijo provolone e o de calabresa com vinho Beaujolais.

"Cinco anos atrás não se falava em panificação artesanal com tanta frequência e talvez não houvesse espaço no mercado para a comercialização de pães tão especiais, que ganharam espaço de prestígio desde o ano passado", conta Julice Vaz (foto), proprietária do estabelecimento.

Um pão artesanal pode chegar a custar mais de 30 reais, como é o caso do sanduíche com hambúrguer de javali, e a panificação é responsável por 70% de todo o rendimento da loja.

"O faturamento previsto para o primeiro ano de funcionamento da loja, dentro do plano de negócios, foi atingido, surpreendentemente, na metade do tempo, e os 400 quilos de farinha de trigo utilizados no mês de estreia agora já somam duas toneladas ao mês, um aumento aproximado de 400 %", comemora Julice.

A padaria abre às 8h30 e a maioria do público é da própria Vila Madalena. São consumidores em busca de alimentos enriquecidos de ingredientes diferenciados e técnicas especiais, ainda consideradas mais saudáveis. A proprietária já pensa na possível criação de um sistema de entregas de pedidos em casa e até na inauguração de uma segunda loja este ano. "Estamos estudando algumas regiões estratégicas para nos instalarmos. As possibilidades são: Jardins, Higienópolis ou Morumbi", diz.

Fonte: DCI