Albanos aumentou a oferta de cervejas próprias, enquanto a Cantina Piacenza e o Topo do Mundo trocaram de endereço

Nada é permanente, exceto a mudança. A máxima do filósofo pré-socrático Heráclito continua valendo até hoje. Que o digam três tradicionais estabelecimentos de BH, que neste semestre reabriram totalmente repaginados. O Albanos fez a mais radical das mudanças, apresentando um novo produto ao público (hoje produz seis cervejas próprias) e abrangendo sua área de alcance – agora é bar, restaurante, fábrica de cerveja, escola de gastronomia. Já o Topo do Mundo e a Cantina Piacenza mudaram de endereço. Mesmo de casa nova, mantiveram a proposta que os consagrou.

Ao chegar a Belo Horizonte, há 22 anos, o Albanos trouxe o então “melhor chope do país”. A choperia teve, na capital mineira, uma vida muito maior do que em sua cidade natal, Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Lá, fechou as portas em 2000, pouco depois da morte de seu fundador, Albano Celini. “Logo depois, o Rodrigo (Ferraz, que trouxe o Albanos para BH) comprou a marca. Então, brinco que o Albanos é belo-horizontino, pois foi aqui que ele cresceu”, afirma Fernanda Bicalho, mulher de Ferraz e gestora dos restaurantes.

Ao longo dessas duas décadas, fãs da cerveja assistiram ao nascimento das microcervejarias, à chegada de opções internacionais e, finalmente, à explosão da cerveja artesanal. A despeito das mudanças, o Albanos continuou o mesmo. “O mercado evoluiu mais rápido do que a gente”, admite Fernanda. Porém, o novo projeto, que veio a público em maio, não foi da noite para o dia.

“Todas as cervejarias, primeiro, abrem a fábrica e depois os pontos de varejo. O nosso caso foi o contrário: ficamos 15 anos com foco no varejo e há cinco abrimos nossa fábrica no Jardim Canadá. Só em 2017 ficamos prontos para voltar, pois é mais difícil renascer do que nascer”, acrescenta ela. O Albanos versão 2018 se desdobra em três unidades: as duas já conhecidas (uma no Anchieta, outra em Lourdes), totalmente reformuladas, e a Cervejaria Albanos do Brasil, no Jardim Canadá. É de lá que sai toda a produção do grupo. Agora são seis chopes – a variedade dry stout foi premiada no Concurso Brasileira de Cervejas, em Blumenau (SC). Além das seis torneiras (o pilsen custa R$ 7,50; os demais, R$ 10), há a versão engarrafada (R$ 16; 500 ml). Há também a torneira exclusiva para espumante on tap (R$ 12,50 a taça).

Cada unidade ganhou um perfil distinto. A pioneira, do Anchieta, virou o chamado hub de cerveja. A área de mesas caiu pela metade, pois em uma parte do espaço foi montada a fábrica voltada para produções compartilhadas. A capacidade de produção é de 500 litros diários – a unidade está aberta a cervejeiros que desejam produzir sua própria receita. Conta também com growler station e loja de insumos. No andar de baixo, já funciona a Escola de Cerveja.

Em Lourdes, funciona o chamado bar conceito, cujo foco é a gastronomia. Se o cardápio do Anchieta é voltado para petiscos (a empadinha na xícara, a R$ 12,50, é um charme), o de Lourdes traz opções para refeições. Oss pratos contam com produtos regionais – carne de sereno com mandioca e picles de cebola roxa (R$ 29,50) e tornedor de costelinha (R$ 35,50).

A cantina iluminada

Foram 10 anos no mesmo imóvel na Rua dos Aimorés, no Santo Agostinho. “Quase uma caverna”, comenta o chef Américo Piacenza sobre a cantina que leva o nome de sua família, dedicada à produção de massas. Pois a luz natural é a primeira coisa a chamar a atenção na nova Cantina Piacenza, na Rua Rio Grande do Sul, perto do endereço original. “É impressionante, mas um quarteirão já mudou tudo”, comenta Américo. O novo restaurante tem o dobro do tamanho do original – antes comportava 45 pessoas, hoje recebe até 90. “Agora sou mais gestor, vi que o restaurante virou uma empresa mesmo. É outra forma de pensar”, explica ele, que conta com o irmão, André Piacenza, na cozinha.

Antigos frequentadores continuam se sentindo em casa. Com dois ambientes e os mesmos móveis, a cantina manteve o cardápio. São pratos fixos – alguns desde a abertura do restaurante, como o fagotini de frango defumado (R$ 46) – e outros sazonais, de acordo com a estação. Novidade deste inverno é o agnolotti del plin de carne de sol ao bechamel de abóbora (R$ 53), que reforça o conceito da cozinha ítalo-mineira de Américo. Para o almoço, durante a semana ele oferece pratos executivos, mas o cardápio noturno também está disponível para o dia. Outra novidade: a cantina passou a abrir para os almoços de domingo.

O ‘camarote’ privilegiado

Um restaurante a 1,5 mil metros de altura em plena Serra da Moeda? Ir ao Topo do Mundo significava parar no tempo e observar, calmamente, a vida passar. A vista, espetacular, era a principal atração. No ano em que completaria 14 anos, a casa mudou de endereço. Mas não de proposta. Desde março ocupando a Torre Alta Vila, o Topo do Mundo mudou de paisagem – agora, a vista de 360 graus, a 1,4 mil metros, compreende BH até onde a vista alcança. “O principal fator da mudança foi comercial mesmo. Em parte por causa da Lei Seca e em parte por causa do número de acidentes na BR-040, que aumentou muito. Como era uma casa mais de fim de semana, se havia um acidente na estrada, ele impactava o mês inteiro”, comenta a proprietária Ludmila Tamietti.

Com a mudança do endereço, mudou também o público. Hoje, o Topo do Mundo funciona diariamente para almoço e jantar. “Fizemos uma reforma rápida para deixar o lugar mais aconchegante”, explica Ludmila. Ela incrementou o cardápio com ingredientes mineiros. Nesta época do ano, o forte são os fondues. Há desde os tradicionais, de carne ao vinho (com filé de boi, suíno e de frango) e de queijo, como aqueles para quem tem restrição à lactose (o fondue é produzido à base de fécula e broto vegetal). E há, claro, o de chocolate e frutas. O preço das pedidas, para duas pessoas, varia de R$ 70 a R$ 115. Quem quiser a imersão completa (queijo, carne e chocolate) paga R$ 220 (duas pessoas).

Fonte: Portal UAI