18/07/12 - A vez das italianas

 

Assim como os vinhos, cervejas artesanais são ótimas para harmonizar com pratos -algumas, até com sobremesa

De produção recente e mais caras que as industrializadas, elas ainda têm presença tímida no Brasil. Mas, aos poucos, as cervejas artesanais italianas começam a ganhar fôlego por aqui. E a fazer as vezes do vinho em harmonizações com pratos. Em alguns casos, até com doces.

Nas lojas, elas já chamam a atenção pelo design das garrafas. E conquistam pelo sabor, pelo aroma e pela história. Algumas são fermentadas em barris de vinho -uma delas, a L'Ultima Luna, tem vocação para vinho de sobremesa. Outras, levam ingredientes inusitados na fórmula. Caso da Bionda Cotta 21, que leva um tipo de cereal chamado farro.

 

NORA

CARACTERÍSTICAS licorosa, tem doçura no final, pouco lúpulo e um toque de gengibre

TEOR ALCOÓLICO 6,8%

VAI BEM COM sushi

PREÇO R$ 60* (750 ml)

 

VERDI IMPERIAL STOUT

CARACTERÍSTICAS toques de chocolate e notas torradas

TEOR ALCOÓLICO 8,2%

VAI BEM COM brownie com sorvete de creme

PREÇO R$ 32* (330 ml)

 

L' ULTIMA LUNA

CARACTERÍSTICAS notas de frutas vermelhas e silvestres

TEOR ALCOÓLICO 13%

VAI BEM COM costelinha defumada

PREÇO R$ 80* (330 ml)

 

LA PRIMA LUNA

CARACTERÍSTICAS tem notas de caramelo, geleia e cereja

TEOR ALCOÓLICO 12%

VAI BEM COM frango ao curry

PREÇO R$ 80* (330 ml)

 

BIONDA COTTA 21

CARACTERÍSTICAS aroma de flores e limão, com notas de especiarias

TEOR ALCOÓLICO 5%

VAI BEM COM pizza marguerita

PREÇO R$ 40* (750 ml)

 

SUPER ARROGANT

CARACTERÍSTICAS tem lúpulo presente no aroma

TEOR ALCOÓLICO 8%

VAI BEM COM filé ao molho de queijo gorgonzola

PREÇO R$ 60* (750 ml)

 

Clima e solo do norte da Itália favorecem o cultivo de cereais para boas cervejas

Quando se trata de gastronomia, a Itália é lembrada por sua cozinha generosa, atraente em cores e sabores especialmente entrelaçados por azeites e vinhos. E não por acaso: esse país do sul da Europa, banhado por mares de quase todos os lados e de clima ameno, tem terroir propício para muitos alimentos, incluindo as uvas de seus vinhos. Mas e suas cervejas?

É comum que as referências se deem com rótulos populares, como Nastro Azzurro, Peroni e Moretti -que, a propósito, desempenham muito bem o papel de cervejas refrescantes e acessíveis.

Entretanto, as cervejas italianas vão além dessa linha popular, e suas produções artesanais merecem atenção digna dos amantes da boa mesa. Ao norte da Itália, ao longo dos Alpes, o terroir muda sensivelmente, favorecendo o cultivo de cevada, trigo e lúpulo -matérias-primas essenciais na elaboração de cervejas- e a interseção com a cultura gastronômica do norte da Europa.

Atento à vocação da região, em meados de 1990 o italiano Teo Musso resolveu estudar profundamente a arte das cervejas e criou os primeiros rótulos da cervejaria Baladin, em meio aos vinhedos de Piemonte (berço dos vinhos Barolo)- "diretamente da 'metrópole' de Piozzo", como costuma brincar.

Ousado, sagaz e elegante, com os ventos do movimento Slow Food a seu favor, conseguiu fazer com que suas cervejas fossem consideradas boas escolhas para aqueles que não quisessem os vinhos nas refeições. Um trabalho pioneiro e árduo, que resultou no surgimento de outros tantos produtores artesanais italianos, como Birrificio del Ducato, Birrificio Grado Plato e Birrificio Italiano.

Hoje, existem em torno de 380 pequenos produtores e 4.000 restaurantes com cartas de cervejas na Itália.

Na última década, a percepção de valor das cervejas naquele país mudou radicalmente. E isso, em boa parte, se deve à criatividade e à competência técnica de seus cervejeiros, apresentando rótulos realmente excepcionais.

No entanto, a ação estratégica de se aproximar e encantar os amantes dos vinhos é igualmente relevante nesse cenário de sucesso das cervejas artesanais italianas.

Uma linguagem bem elaborada e elegante e taças apropriadas para servir e revelar o que os diferentes estilos têm de melhor são algumas das sutilezas atribuídas a esses profissionais.

No Brasil, temos a oportunidade de degustar alguns excelentes rótulos italianos e aprender boas lições na missão de revolucionar o comportamento de consumo de cervejas por aqui.

Cervejas à mesa, tal como vinhos. E é bom dizer que estamos em prumo!

Fonte: Folha de S.Paulo