A Abrasel em São Paulo disse que no fim de semana o movimento foi cerca de 25% menor do que costuma ser

Os restaurantes da cidade de São Paulo enfrentavam dificuldade para manter o cardápio oferecido aos clientes. Por causa da greve dos caminhoneiros, que chega a seu nono dia nesta terça-feira (29), já falta carne, leite e batata em alguns estabelecimentos. De acordo com os comerciantes, os preços de legumes e verduras estão 30% mais altos. O movimento, porém, baixou 25%.

O dono de hamburgueria Aldo Zerbinatti Neto só tem produtos para servir aos clientes no começo desta semana. “Tenho carne para trabalhar apenas hoje, batata até terça-feira. Batata congelada né? A gente está conseguindo só a nacional porque a importada está sumindo do mercado", disse. O serviço de delivery também está comprometido por causa da falta de combustível dos motoboys para trabalhar. “Nós trabalhamos com dezessete motoqueiros, ontem trabalhamos com nove e hoje a previsão de três ou até parar o delivery, o que é um grande prejuízo para a gente”, disse Zerbinatti Neto.

Buffet substitui carne

A Abrasel em São Paulo disse que no fim de semana o movimento foi cerca de 25% menor do que costuma ser. Muitos estabelecimentos recebem mercadoria às segundas-feiras, portanto tinham algum estoque para a última semana. A associação disse que a maior dificuldade dos bares e restaurantes é encontrar hortifrúti e peixes.

Com a falta de carne, havia restaurantes fazendo substituições do cardápio no buffet. Um estabelecimento teve de servir frango no lugar da picanha, por exemplo. “Nós percebemos uma queda no movimento desde sexta. Atribuo isso à dificuldade na locomoção. Por falta de combustível, as pessoas que moram aqui na região conseguem chegar facilmente ao restaurante porque vem a pé ou de bike. Quem depende de automóvel está poupando combustível para as necessidades da semana”, disse Vera Lúcia Lorenzi, sócia de um restaurante. Vera contou que está racionalizando até legumes. “Por exemplo, a batata estou deixando só para fazer o nhoque, não estou servindo batata para os clientes. Legumes estamos sendo cuidadosos ao grelhar, estamos selecionando um pouco. Nunca imaginei racionar batata, abobrinha, de jeito nenhum”, disse.

No DF, Prejuízo de bares e restaurantes passa de R$ 60 milhões

O prejuízo estimado dos bares e restaurantes do Distrito Federal com a paralisação dos caminhoneiros, que chega ao oitavo dia nesta segunda-feira (28), ultrapassou os R$ 60 milhões, segundo estimativa da Abrasel no DF. O valor representa "de 20% a 30%" do faturamento previsto para maio de todos os estabelecimentos do ramo na capital. "O DF tem 10 mil bares e restaurantes, e cerca de R$ 300 milhões de faturamento médio mensal", disse o presidente da Abrasel no DF, Rodrigo Freire.

Segundo ele, o ponto crítico enfrentando por muitos é a falta de gás de cozinha – no momento, um problema pior do que a carência de alimentos. "Não adianta nada se não tiver como cozinhar algumas coisas." O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) informou, por meio de nota, que os caminhoneiros estão permitindo a passagem de gás apenas para "abastecimento de serviços essenciais", como hospitais, creches, escolas e presídios.

Caminhões com botijões vazios estão sendo barrados nas rodovias e, segundo o sindicato, isso impede que seja feito o reabastecimento, inclusive para serviços essenciais. "O setor de GLP trabalha com uma logística reversa, na qual é imprescindível o retorno dos botijões vazios às bases para serem engarrafados."Os estabelecimentos que mais sentem os efeitos do corte na distribuição de alimentos são as franquias, de acordo com a Abrasel, porque "quase 100% dos produtos vêm de fora". Já quem tem parceria com produtores locais ainda consegue garantir ingredientes dos cardápios.

"A maior dificuldade é para quem compra produto de fora, industrializados, e não tem estoque grande. Está faltando, por exemplo, bacalhau e frutos do mar", disse Rodrigo Freire. "A greve foi uma barganha corporativa. Quem vai pagar o prejuízo que os bares e restaurantes tiveram?"

Queda de 50% no movimento no Paraná

A Abrasel no Paraná emitiu nesta terça-feira (29), comunicado sobre a greve. Embora apoiem os caminhoneiros, os proprietários de restaurantes em Curitiba sentiram os impactos da greve e registraram queda de 50% no movimento na última semana. No fim de semana dos dias 26 e 27 de maio, o prejuízo foi mais intenso, chegando a 70% em alguns estabelecimentos. Os restaurantes informaram ainda que só possuem insumos para atender a população pelos próximos quatro dias; sendo que alguns trabalham com revezamento de gás. Os restaurantes permaneceração abertos enquanto houver condições de atendimento.

Em Londrina, sem gás e sem alimentos perecíveis, como carnes, verduras e folhagens, o atendimento ao público em bares e restaurantes está com os dias contados. "Hoje já não veio nada do Ceasa. Fui no mercado e não tinha quase nada de hortifruti", conta Marcos Aparecido dos Reis, proprietário de um restaurante na cidade..

Segundo o diretor da Abrasel no Norte do Paraná, Vinícius Donadio, que possui cerca de 70 estabelecimentos associados, a maioria conseguirá funcionar até o estoque de gás acabar, o que deve ocorrer até o final de semana. "Alguns locais já cogitam alternar os dias de atendimento e horários. É fato que todos estão sentindo os impactos da greve", aponta.


Fontes: G1 DF Folha de LondrinaG1 SP