12/07/12 - Site faz reserva e dá desconto de 30% em restaurantes

Serviço da start-up brasileira Grubster pretende reduzir mesas vazias nos estabelecimentos com promoções para consumidores

Mesas vazias são o terror dos donos de restaurantes. Como a demanda varia conforme o horário, há períodos em que os estabelecimentos ficam às moscas. A start-up brasileira Grubster enxergou aí uma oportunidade de negócio. Por meio do site da empresa, os restaurantes podem oferecer reservas nos horários de baixa frequência. Além de ficar com toda a atenção do garçom, quem aproveita os horários de pouco movimento ganha 30% de desconto na conta. “O conceito é o mesmo das empresas áreas e dos hotéis: otimização de inventário, que é perecível, para aumentar a receita e o lucro”, diz o criador do site, o paulistano Pedro De Conti, de 27 anos.

O serviço do site custa R$ 10 por reserva. É daí que o Grubster saca seu lucro, com uma cobrança inferior ao desconto obtido pelo cliente.

 

São mais de 12,5 mil opções de restaurantes disponíveis em São Paulo, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Desses, cerca de 250 (2% do total) estão no Grubster. O site possui também em seu portfólio 25 restaurantes em Brasília e outros 25 no Rio de Janeiro. Conti afirma que a meta é chegar a 1,3 mil estabelecimentos até julho de 2013 em 15 cidades e com 1,7 milhão de usuários - atualmente, há 100 mil perfis no Grubster. Para atingir as metas, o site busca investidores.

Ter à disposição um serviço que se propõe a reduzir a ociosidade das mesas, utilizando-se para isso de descontos, é um incentivo a mais para um segmento que tem duas vezes mais chances de fechar em até dois anos do que a média dos outros negócios. Segundo pesquisa do Sebrae-SP com a Abrasel divulgada há alguns meses, 70% dos restaurantes fecham no segundo ano de operação.

“É uma boa ideia fazer promoções para estimular o uso das mesas ociosas. O segredo para ser bem-sucedido nesse segmento é acertar o preço de acordo com o público do restaurante”, afirma Joaquim Saraiva de Almeida, presidente da Abrasel-SP.

A reportagem testou o Grubster duas vezes. Tanto no restaurante Pote do Rei como no Parrilla La Recoleta, ambos da zona oeste de São Paulo, não foi necessário mencionar a inscrição no Grubster. Bastou dar o nome na recepção para que um host conduzisse até a mesa reservada. Isso alivia quem se sente constrangido em apresentar cupons de desconto, como é o caso da maioria dos sites de compra coletiva. Em ambos os casos, o desconto veio discriminado na conta. “Demoramos para afinar o sistema”, diz Conti.

No começo do projeto, houve alguns percalços. Jailton Dalazen Albino, 47 anos, gerente do restaurante Trindade, na zona sul da capital paulista afirma que, logo que fechou a parceria com o Grubster, há cinco meses, as notificações de reserva não chegavam até a equipe de atendimento. “Talvez fosse um pouco de falha deles, ou nossa, mas hoje o serviço manda mensagem via e-mail, SMS e uma pessoa da equipe deles liga para confirmar que houve uma reserva”, afirma Albino.

O Grubster luta contra a má impressão deixada pelas empresas de compra coletivas, especialmente logo depois do surgimento desse setor no Brasil. Em entrevista à DINHEIRO, Patrick Schmidt, vice-presidente do Groupon, maior site de vendas coletivas do mundo, disse que sua prioridade é tirar a empresa dos rankings de reclamações. Ele mesmo denomina a situação de “muro da vergonha”.

Por isso, Conti expande sua operação aos poucos. No mês passado, foi lançado discretamente um aplicativo para o iPhone do Grubster. Dias depois, foi retirado para melhorar o desempenho. Hoje, ele está disponível na App Store e tem, na maioria, comentários positivos. Segundo o Grubster, o software já foi baixado mais de 5 mil vezes. A grande diferença do programa em relação ao site é a possibilidade de fazer buscas pelos restaurantes nas proximidades, fazendo uso do GPS do celular. Segundo Conti, em agosto os celulares Android devem receber uma versão do aplicativo.

 

Fonte: Istoé Dinheiro