Casas estão de olho em um público que não quer saber de hora certa para fazer as refeições

Quantas vezes você já não tomou café às 12h, almoçou depois das 15h ou até mesmo jantou às 17h? Na atual era da economia criativa, com o fim do “horário comercial” e o aumento dos profissionais liberais, as pessoas têm diferentes intervalos de tempo para as refeições. E isso vem mudando a indústria de restaurantes: sem um cardápio cartesiano, muitos ficam abertos o dia todo para atender ao público sem horários. Nos EUA, eles são chamados de all-day e, mais do que permanecerem abertos de manhã até a noite, o que os difere é o fato de questionarem o conceito do que deve ser consumido no café da manhã ou no almoço, por exemplo. Por que não servir ovos mexidos à tarde? Por que não oferecer pratos de comida a partir das 10h?

O movimento à brasileira

Aqui, começou a engrossar primeiro nas metrópoles. Foi durante uma viagem pelo norte da Europa que Renato Calixto se deparou com a tendência. De volta à capital paulista, ele e os sócios inauguraram o Factório. “Para mim era claro um lugar que permitisse atender as pessoas ao longo do dia, não só um café, mas também com boas opções gastronômicas e até de coquetéis.” O cardápio está à disposição do cliente das 8h às 23h. “Estar aberto o dia todo também permite atender a uma diversidade maior de público: o que vem para o café da manhã, o que almoça aqui porque trabalha perto ou o que vem tomar drinque à noite. Isso também é ótimo para saúde financeira nesses tempos atuais”, explica.

Recém-aberto no bairro de Pinheiros, o Futuro Refeitório também quer ser um ponto de convergência para todas as agendas. Encabeçado pela chef Gabriela Barretto, o negócio serve café da manhã, brunch, almoço e, recentemente, jantar — também com opções de vinhos e drinques, de olho em happy hours.

Seria difícil chamar o Futuro só de restaurante, então o “refeitório” casou bem ao batismo. Além das opções de pratos com predominância em vegetais, há pães da casa, bem acompanhados de cafés. Exemplo das torradas com coberturas como curd de laranja ou ricota não restritas às manhãs.

Os sanduíches também saem a qualquer hora. “A ideia é que as pessoas possam passar um tempo aqui. Fazendo reuniões de trabalho, tomando um café nos sofás enquanto leem um livro”, afirma Gabriela, que toca o negócio com a irmã Karina. No Bio, de Alex Atala, o espaço é dividido em um balcão de saladas, a cozinha com parrilla à mostra e uma “ilha de mandioca”, que tem tapiocas, crepiocas e pães de queijo. O cardápio é extenso, priorizando o uso integral dos alimentos: o talo de coentro é insumo para coquetéis, cascas viram chips e sementes vão para a brasa. Além da sugestão do menu do dia, os clientes escolhem o que comer, na hora que quiserem.

Fonte: VIP