10/07/12 - Alimentos exigem atenção apesar de inflação baixa, diz corretora

Apesar de a inflação mensal ter atingido seu menor nível desde agosto de 2010, é preciso monitorar o grupo alimentos após as sucessivas altas de preços agropecuários no atacado, avalia o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho

Divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou de 0,36% para 0,08% entre maio e junho, pouco abaixo das expectativas do mercado, mas dentro do previsto por Velho.

 

Sete dos nove grupos pesquisados pelo IBGE registraram taxas menores no período, incluindo alimentação e bebidas. Essa classe de despesa, no entanto, mostrou maior resiliência, já que a desaceleração foi contida, de 0,73% para 0,68%, devido a problemas específicos na oferta de produtos in natura.

“É claro que esse fator não vai interromper a política monetária do Banco Central, mas aparentemente haverá recuperação dos preços de alimentos em julho”, disse o economista, ressaltando que as condições externas irão definir o grau de repasse do atacado para o varejo.

No IGP-DI de junho, os preços agropecuários subiram de 0,67% para 0,99%. Apesar de variações climáticas, Velho destaca que algumas commodities vêm recuperando preço no mercado internacional, principalmente a soja, fator que pode afetar a inflação de alimentos nos próximos meses, caso tenha continuidade. O grão avançou 6% no IGP-DI do mês passado.

Além de alimentos, também devem contribuir para alta modesta do IPCA em julho, na visão da Prosper, o grupo vestuário, após antecipação das liquidações em junho, e transportes, com a saída do impacto do corte de IPI para automóveis.

Entre maio e junho, o grupo vestuário se desacelerou de 0,89% para 0,39%, enquanto o grupo transportes aprofundou sua deflação de 0,58% para 1,18%, maior efeito de baixa no IPCA do mês.

 

Fonte: Valor Econômico