Fazendas solares estão se tornando tendência entre empresários em busca de mais economia por meio de solução barata e eficiente

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Proprietário do bar Köbes, especializado em gastronomia germânica, o empresário mineiro Gustavo Alves há tempos planejava ampliar seus serviços aos clientes com torneiras de chope artesanal produzido no estabelecimento. A economia para poder realizar seu investimento, porém, veio de uma inusitada iniciativa: uso de energia solar. “Há o ganho da sustentabilidade, mas principalmente o da economia, que permite o investimento em outras áreas do negócio”, diz. 

Desde novembro de 2017, Alves economiza cerca de 20% na conta de luz do seu estabelecimento, localizado em Belo Horizonte. E engana-se quem acha que ele foi obrigado a “abrir a carteira” e realizar reformas no espaço para a instalação de placas que captam a energia do sol. O equipamento, na verdade, está a uma distância de 380 Km da capital mineira, mais precisamente na cidade de João Pinheiro, no norte do estado, e o empresário apenas as aluga, sem qualquer investimento inicial. “Não precisei fazer absolutamente nenhuma mudança física no bar, e em menos de dois meses, tempo necessário para a burocracia, o serviço já estava à minha disposição”, completa. Mas então como funciona essa logística?

Em Minas Gerais, o primeiro estado no país a oferecer isenção de ICMS para todo conjunto de equipamentos de geração de energia solar, qualquer empresa que possua CNPJ pode contratar o serviço, ofertado pela iniciativa privada. O objetivo da ação é priorizar meios mais sustentáveis de energia. É o que muitos bares e restaurantes estão fazendo.

No caso do Köbes, a contratada foi Origo Energia, que busca por regiões com boa insolação e condições técnicas para construir uma fazenda solar - atualmente as cidades de João Pinheiro e Januária contam com a estrutura. Em seguida, a empresa divide essa fazenda em lotes de placas solares e os disponibiliza para locação por qualquer cliente comercial do estado, atendido pela Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais). Todo final de mês, os créditos de energia produzida pelo lote são contabilizados e abatidos na conta de luz.

“Pelo consumo convencional, a tarifa pode variar de 72 a 85 centavos. Com as fazendas solares, a tarifa pode chegar a 63 centavos”, diz Larissa Santos, consultora de energia sustentável. Este modelo trabalha como um plano de assinatura de lotes, sem necessidade de qualquer investimento inicial por parte do cliente. 

O empresário só paga o aluguel das placas no final do mês, após ter recebido os créditos de energia provenientes do lote. Ele não precisa se preocupar com investimentos em instalação ou manutenção de equipamentos porque a empresa contratante é responsável por todo esse processo. O empresário também não precisa se preocupar em como a energia chegará ao endereço da sua empresa, porque a Cemig continua sendo responsável pela rede de distribuição, levando a energia até o cliente. “Em caso de tarifação de bandeira ou racionamento de energia, o empresário que opta pela energia sustentável não é taxado por esses serviços”, diz a consultora.

Como funciona

Técnicos da empresa vão avaliar o perfil anual de consumo do cliente para estabelecer qual é o número de lotes necessários para atender às necessidades de cada negócio. Com base nisso, determinam o valor fixo mensal a ser pago pelo cliente por cada lote locado. Se em algum mês o lote de placas de captação solar gerar mais energia do que o necessário, essa energia se torna um crédito energético, que pode ser utilizado em até 60 meses. “Todos nós buscamos por mais sustentabilidade sim, mas não há como negar que a economia no fim de cada mês é o principal chamariz”, diz Gustavo Alves.

Agora com a economia na conta de luz, o empresário busca outras formas de redução de gastos para ofertar novos serviços aos clientes. “É uma questão de gastar energia com o que mais importa”, finaliza.

Fonte:
Revista Bares & Restaurantes, edição 119. A reportagem está disponível na versão impressa. 

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