Sem uma definição formal, os vinhos naturais são feitos com o menor nível de interferência, pouca ou nenhuma administração de conservante e uso de leveduras selvagens

alt

Quando o francês Benoit Mathurin, chef do Esther Rooftop, lançou sua nova carta de vinhos no começo de fevereiro, decidiu abolir a divisão que separava os naturais. É que, como não os conheciam, as pessoas tinham medo de experimentar, segundo ele. E, para sua surpresa, a estratégia deu certo entre os clientes.

Vinhos naturais, ainda desconhecidos, começaram a bater as asas para fora do meio de entendidos e foram parar em casas como o Esther e a despretensiosa Hospedaria, na Mooca, em São Paulo. Sem uma definição formal, são, em geral, feitos com o menor nível de interferência, pouca ou nenhuma administração de conservante e uso de leveduras selvagens (do ambiente e das uvas).

Na hora de beber, têm outras referências de intensidade, sabores e aromas. "Para experimentar tem que abrir a cabeça", diz Analu Torres, que ao lado de Xavier Meney comanda o Jardim dos Vinhos Vivos, na Vila Madalena. No misto de loja e espaço de eventos, é possível experimentar em torno de 50 garrafas -para acompanhar, leve a própria comida, é só consultar a casa antes.

Na Enoteca Saint VinSaint, na Vila Nova Conceição, eles também aparecem em dez opções de taça, além de 150 rótulos sob a batuta da sommelière Lis Cereja, organizadora da feira Naturebas, dedicada ao tema.

Vinhos naturais já receberam críticas, a começar pelo nome, que faz os demais parecerem artificiais. Polêmicas à parte, é preciso curiosidade para entrar no universo. "Não é uma questão de moda, é uma questão de saber se você quer conhecer coisas novas", diz Benoit.

A tarefa tem ficado mais fácil com a oferta crescente. "Isso é incrível para o cliente, que pode variar o repertório a provar", diz Gabriela Bigarelli, consultora da carta do Maní, com oferta de oito naturais.


Fonte: Folha de S. Paulo