Com alguns insumos com preços até 8,5% menores que no ano passado, os estabelecimentos vão surfar na onda dos ‘bloquinhos’ para pegar parte dos R$ 3,6 bilhões movimentados neste mês

A queda nos preços dos alimentos e bebidas, que registraram recuo de 1,87% em 2017, ajudará os bares e restaurantes a recomporem suas margens no Carnaval. Com a expectativa de que a alimentação fora do lar movimente R$ 3,6 bilhões na data em todo o Brasil, a tendência é que a receita do setor volte a crescer após três retrações seguidas.

Segundo previsões da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Carnaval responderá por uma injeção de R$ 6,2 bilhões na economia brasileira, sendo que a maior fatia (58%) será destinada a estabelecimentos que vendem comidas e bebidas.

Para aproveitar esse momento, o gerente do bar Mar Carioca, Sérgio Andrada, conta que em janeiro a rede de três estabelecimentos fez um reajuste médio de 7% nos preços, pouco mais de quatro pontos percentuais acima da inflação do ano passado, mas que isso se deu pelo fato do bar ter segurado os aumentos desde 2015. “Conseguimos reajustar o preço justamente porque a inflação estava controlada e os consumidores não sentiram tanto”, explica.

De acordo com levantamento da CNC, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), nos últimos 12 meses até janeiro a inflação foi de 4,4% nos itens relacionados ao carnaval, com destaque para o preço das carnes vermelha e branca que caiu em média 8,2%, em relação ao ano passado, além da carne de porco, que recuou 3,7%.

Comprando com preços menores, o gerente conta que a estimativa para este ano é que o movimento no bar aumente até 35%, já que novos blocos de rua foram anunciados em regiões próximas aos estabelecimentos. “Queremos um incremento de mais de 30% na receita em fevereiro, e como a inflação dos alimentos ainda está baixa, acredito que nossa margem de lucro será maior este ano. Ano passado quase não tivemos lucro líquido”, desabafa o empresário.

Além do movimento mais fraco de 2017, a empresa investiu quase R$ 600 mil em segurança particular e ferramentas antifurto, valor que ainda está sendo amortizado este ano.

Em Salvador, tradicional polo do Carnaval de rua a expectativa da prefeitura é uma alta de até 20% nos ganhos. Em São Paulo, que deve receber a maior injeção de capital (27%), até as redes de hotéis preparam soluções que caibam no bolso para garantir negócios. A AccorHotels, por exemplo, vai oferecer opções de café da manhã para foliões, com preços que começam em R$ 18. Além disso, alguns empreendimentos da rede terão disponíveis para o público um quarto compartilhado por R$ 49. A ideia é captar o público que voltaria para casa de transporte privado.

Temor da Febre Amarela

Ainda que o momento seja melhor para bares e restaurantes no quesito preço, uma razão peculiar pode afugentar parte dos foliões de Minas Gerais: a febre amarela. Com algumas das mais tradicionais cidades para a festa consideradas aéreas de risco, o proprietário do Bar Colina, em Belo Horizonte, Alfredo Triste, teme que o movimento deixe a desejar. “Ainda é cedo para dizer com certeza, mas temos ouvido muito que o surto de febre amarela pode tirar parte dos visitantes de Minas”, afirma.

A estimativa da Empresa Municipal de Turismo (Belotur) é que 3,6 milhões de turistas transitem pelos 500 blocos na cidade, e para estimular negócios para além dos bares, este ano foi criada uma campanha de descontos para os restaurantes locais, que também querem aproveitar a data.

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Fonte: DCI