Depois do Natal ocorre uma redução de público em bares e restaurantes, mas, neste ano, a expectativa de movimento segue melhor que 2016

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Revelação de amigo-secreto, confraternizações de trabalho ou simplesmente aquela vontade de sentar mais vezes com os companheiros para se despedir do ano que termina movimentam o setor de bares e restaurantes do Distrito Federal. O aumento da demanda obrigou os proprietários dos estabelecimentos a se organizarem para atender ao público e, consequentemente, lucrar mais após um ano de estagnação econômica.

O contador Raphael Rachid escolheu o Piratas Bar, no Setor de Indústrias Gráficas, para a confraternização de 10 anos de amizade com os colegas de faculdade. “Nos conhecemos em sala de aula, em 2007. Formamos e agora tentamos manter a tradição de nos encontrarmos pelo menos nas datas comemorativas”, conta. O grupo, formado por 13 contadores, precisou reservar mesa antes devido à grande procura por mesas no fim de ano. “As últimas semanas foram as melhores em vendas desde que abrimos o bar, em outubro”, diz o gerente, Júnior Baptistim.

Os amigos de Guilherme Amaral, 27, também escolheram o Piratas Bar para a primeira confraternização de fim de ano do grupo. “Estudamos juntos e nos formamos neste mês, por isso, decidimos comemorar juntos o fim dessa etapa”, afirma.

Diretor executivo do grupo Jorge Ferreira, Mauro Calichman estima crescimento entre 12% e 15% no movimento somente nos primeiros 20 dias de dezembro em comparação com o mesmo período do ano anterior. “No fim de ano crescem as reservas de mesas maiores e as pessoas estão dispostas a gastar um pouco mais. É um período de movimento significativo, tendo um aumento de 10% a 15% nos lucros, o que é muito bom, porque ajuda no pagamento de 13º dos funcionários”, diz.

Apesar de estar disposto a gastar um pouco mais se comparado com meses anteriores, esse público tem buscado promoções. “As pessoas fazem cotação e vão onde tem a melhor condição, como casas que oferecem o chopp em dobro. A partir desses fatores, decidem onde ir”, explica Mauro.

Mesmo com o aumento do público, o empresário não viu a necessidade de ampliar o número de trabalhadores. “Mantivemos o quadro mesmo diante da crise, porque se leva muito tempo treinando uma pessoa para, depois, demiti-la. Por isso, há mão de obra suficiente”, garante.

Mas ele pode ser exceção. Segundo o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar), Joel Antônio da Silva, para o ramo de bares e restaurantes, em média 500 pessoas devem ser chamadas como temporários para este fim de ano. “Os donos de bares e restaurantes contratam temporários apenas para esse período de festas. Este foi um ano estável para o ramo, em comparação com 2016, quando o setor passou por um momento mais difícil. A maioria dos empresários do setor empacou em 2017”, afirma Silva.

Para dar conta da alta demanda de fim de ano, o sócio-diretor da Belini Pães & Gastronomia, Luiz Guilherme Carvalho, contratou funcionários temporários. “As duas primeiras semanas de dezembro são muito movimentadas devido às reuniões de amigos e colegas de trabalho. Além disso, temos as demandas de entregas para a ceia de natal”, conta. Para garantir a clientela, Luiz investiu em pacotes especiais de bufê. “Neste ano, mesmo com a crise econômica, percebemos que as reservas não diminuíram. Nossa aposta é de que as pessoas não se importam em gastar para garantir bons momentos no fim de ano.”

Driblando a crise

Para aqueles que não querem gastar tanto, como o grupo de colegas de Clarissa de Lima, 19, bares populares, como o Simpsons, na 307 Sul, são a escolha ideal. “Passamos no vestibular de medicina e decidimos marcar uma confraternização para nos conhecermos melhor e comemorarmos a aprovação”, afirma. Para fazer a festa, só foram necessários vários litrões de cerveja e uma porção de batata frita. “Não queríamos algo chique, então, decidimos fazer um esquenta aqui e emendar em uma festa”, diz Clarissa.

Embora tenha sido um ano mais tranquilo para os bares e restaurantes em relação a 2016, muitos estabelecimentos fecharam as portas em decorrência da crise. Para manter o equilíbrio do segmento, medidas tiveram de ser tomadas pelos empresários. “Houve um processo de demissão de pessoas que não eram tão qualificadas. Outra forma de driblar a crise foi criar promoções como o sistema de chopp duplo e controle de desperdício”, explica o presidente do Sindhobar.

Apesar das dificuldades, Rodrigo Freire, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Distrito Federal (Abrasel), avalia que este foi um ano bom. “Eu acho que 2017 foi um ano melhor, porque, ao menos, a expectativa melhorou. A gente voltou a ter uma luz”, afirma.

Nem todos os estabelecimentos conseguem manter o pique após 24 de dezembro. Depois do Natal ocorre uma redução de público em bares e restaurantes, mas, mesmo assim, neste ano, a expectativa está melhor do que a do ano passado. “Apesar de dezembro ser bom, perdemos muito na última semana do mês e na primeira semana de janeiro. Além disso, o fluxo de caixa está sempre comprometido, por conta do 13º”, destaca Freire. 

Fonte: Correio Braziliense