02/07/12 - Setor que mira o mercado interno ganha relevância

 

Produção de alimentos passa petróleo e se torna a mais importante em 2010. Mesmo num cenário de crise, IBGE constata que, entre 2007 e 2010, aumentaram os gastos da indústria com pessoal

Setores voltados para o mercado interno ganharam relevância na atividade industrial nos últimos anos. A fabricação de produtos alimentícios, que em 2007 era o terceiro maior segmento industrial do país, tornou-se o mais importante em 2010, após a crise de 2008 e 2009.

Ela tomou o posto da indústria de derivados do petróleo e biocombustíveis (gasolina, diesel e álcool) e também passou à frente do setor automotivo, hoje alvo das ações do governo para estimular a economia. As informações são da Pesquisa Industrial Anual, do IBGE, divulgada sempre com dois anos de defasagem.

Outro segmento que ganhou peso foi a fabricação de bebidas, que passou do 12º maior valor adicionado em 2007 para o 11º em 2010. Segundo Rodrigo Lobo, coordenador da pesquisa do IBGE, o aumento da renda doméstica ampliou a demanda por esses produtos.

Além disso, contribuiu a escalada dos preços de alimentos no exterior. A alta das commodities também impulsionou o setor de extração mineral, que passou a integrar o grupo das cinco mais importantes atividades industriais em 2010. Com esse avanço, a indústria de transformação encolheu de 93% do setor fabril em 2007 para 91% em 2010.

 

Crise

Segundo o IBGE, a crise de 2009 eliminou 9.336 indústrias. A retomada em 2010, quando a economia cresceu 7,5%, foi insuficiente para recuperar o estrago. "Vários setores industriais exportadores ainda não se recuperaram", diz o economista David Kupfer, da UFRJ.

O economista cita a exportação de veículos como um dos que até hoje se ressentem da fraca demanda externa. "Após um ano bom, em 2010, a indústria arrefeceu. Estamos hoje no mesmo patamar de produção de 2008", afirma Kupfer.

Mesmo num cenário de crise, o IBGE constatou que, entre 2007 e 2010, aumentaram os gastos do setor com pessoal. As despesas com a folha de pagamentos, que representavam 13% dos custos, alcançaram 15% em 2010. As indústrias também passaram a gastar mais na compra de terrenos e construção de edifícios do que em máquinas e equipamentos.

Uma das explicações pode estar no preço dessas máquinas, que ficaram menores com o câmbio valorizado.

 

Fonte: Folha de S.Paulo