27/06/12 - Polícia quer mobilizar vizinhança para reduzir arrastões em São Paulo

 

Depois de 29 arrastões em bares e restaurantes, São Paulo põe em prática um novo plano de segurança: o programa Vizinhança Solidária

Depois de 29 arrastões em bares e restaurantes, São Paulo põe em prática um novo plano de segurança. A ideia central é mobilizar a vizinhança e fazer de cada morador um olheiro da polícia.

O Bom Dia Brasil foi ouvir moradores, comerciantes e especialistas em segurança. A expectativa é grande. Mas, os entrevistados também dizem que só a ação dos vizinhos não resolve o problema. O programa Vizinhança Solidária começa nesta terça-feira (26) na Zona Sul da cidade.

Restaurantes, bares e comércio 24 horas garantem muito movimento nas ruas no fim da noite e na madrugada. Nos últimos meses, o bairro ganhou novos frequentadores: são os assaltantes.

Eles invadem as casas que funcionam à noite, limpam o caixa e os clientes. Do começo no ano até agora, pelo menos 29 restaurantes, bares e padarias na capital sofreram os chamados arrastões.

Para acabar com o problema, a Polícia Militar quer estender para bares, restaurantes e lanchonetes o Vizinhança Solidária - uma estratégia de segurança que funciona nos condomínios do bairro desde 2009.

Pelo menos 40 estabelecimentos comerciais se inscreveram no programa de segurança que segue modelo americano e já foi testado com sucesso no ABC paulista. A vizinhança é orientada a avisar a polícia no caso de qualquer atitude suspeita. É dado um alerta nos restaurantes do bairro. A ideia é acabar com o elemento surpresa que favorece os criminosos.

A associação de moradores aposta que vai funcionar: “Tem que fazer alguma coisa, porque não pode ficar como está e, se conformando e procurando cada um se defender”, diz Marcelo Motta, presidente da Sociedade dos amigos do Itaim Bibi.

Para o especialista José Vicente da Silva, a polícia precisa fazer mais do que isso: “Temos duas modalidades de ação: A primeira é o trabalho preventivo eficiente da policia, que mapeia os locais de maior incidência, de maior vulnerabilidade. O segundo aspecto importante é a capacidade da polícia de se adaptar, reagir de maneira eficiente através do sistema de investigação da Polícia Civil. E um terceiro fator que não deixa de ser importante são os cuidados que os estabelecimentos, os condomínios devem tomar para criar dificuldade para a ação dos criminosos. Eles vão sempre preferir aqueles locais menos guarnecidos por medidas de segurança”, diz José Vicente da Silva, consultor de segurança.

 

“O objetivo é mostrar uma conscientização de segurança pública na coletividade. Ou seja, o restaurante tem que se preocupar com a segurança dele e, ao mesmo tempo, com a segurança da coletividade”, explica o capitão Cleodato Moisés, porta-voz da PM-SP.

Ao todo, 40 estabelecimentos já se cadastraram. “O próximo passo é uma reunião para assinarem o termo de adesão e compromisso. A partir disso a Polícia Militar vai marcar uma palestra de segurança pública e visita aos estabelecimentos, mostrando algumas vulnerabilidades do local. Como uma iluminação muito baixa ou um caixa na entrada do restaurante. São prevenções primárias que acabam colaborando com a segurança”, aponta o capitão. Ele garante que o policiamento será reforçado na área.

De acordo com a polícia, este ano, já foram presos 30 suspeitos de participar dos arrastões. Destes, 16 são adultos e 14 são menores de idade.

 

Fonte: G1