Ideia de criar complexo turístico às margens da Baía da Babitonga é bem aceita por comerciantes e visitantes da região, que se tornou referência em frutos do mar na cidade

A região do Espinheiros está ganhando, aos poucos, uma nova via gastronômica e se fortalecendo como uma opção de lazer em Joinville. Durante os últimos anos, o trecho entre o final da rua Prefeito Baltazar Buschle e a extensão da rua Antônio Gonçalves recebeu novos restaurantes e petisqueiras valorizando ainda mais a região, que hoje é referência na culinária baseada em frutos do mar na cidade. Comerciantes também notam o aumento no número de visitantes, o que dá mais força para o movimento de transformar o local em uma nova Visconde de Taunay.

Na prática, a via gastronômica já existe, mas ainda faltam investimentos em estrutura para deixar o local mais acessível e melhor equipado para receber visitantes. Segundo o comerciante João Colombo, 54 anos, nos finais de semana há muitos turistas que vão até o Espinheiros, mas não encontram vagas para estacionar e acabam dando meia volta para ir embora.

– Hoje, a estrutura não comporta uma via gastronômica. Precisamos de mais vagas de estacionamento em outras ruas aqui – defende. Osmar Neckel, 76 anos, também é proprietário de um restaurante no local e diz que os comerciantes ainda precisam se reunir para adequar seus restaurantes antes de criar efetivamente a via gastronômica. Ele conta que o maior movimento ocorre nos fins de semana. De acordo com ele, o número de turistas aumentou porque, apesar da crise, os comerciantes começaram a criar alternativas de preços para se tornarem atrativos. Outras ideias também estão sendo discutidas para tentar aumentar ainda mais a popularidade da região.

– Eu não sei se vamos conseguir na Câmara, mas queremos trocar o nome para Ilha do Espinheiros, fazer um pórtico na ponte (que dá acesso ao bairro) e colocar flores na região. Também precisamos de estacionamento para motos e bicicletas, além de lugares para fazer eventos – conta. Para aumentar cada vez mais o número de visitantes, os próprios comerciantes estão incentivando novas opções gastronômicas a se instalarem na região. Segundo Osmar, atualmente há restaurantes, petisqueiras e pizzaria, mas ainda faltam uma churrascaria e uma confeitaria para completar a diversificação.

Projeto de complexo turístico

A instalação da via gastronômica na região do Espinheiros está sendo defendida também por vereadores. O parlamentar José Henkel, o Pelé (PR), conseguiu protocolar no Ministério do Turismo um pedido de ajuda financeira para construção do complexo turístico às margens da Baía da Babitonga. A proposta é construir atracadouro e montar uma praia artificial com 325 metros, além de um pórtico. Apesar do cadastro no ministério, ainda não há previsão de liberação de recursos.

O projeto está sendo feito pelo Executivo. Em nota, a prefeitura de Joinville informou que foi realizado um estudo para melhorias na região do Espinheiros, complementar à implantação do espaço Porta do Mar, inaugurado em 2014. A partir desta proposta, que visa tornar o ambiente mais estruturado para o turismo e lazer, será buscado recursos junto ao governo federal para as obras de melhorias.


Atrativo da região

Proprietário de um restaurante da região, Paulo Muller, 65 anos, concorda que ainda falta a oficialização para a criação da via gastronômica e o empenho dos órgãos públicos para melhorar o sistema viário. No entanto, os turistas e joinvilenses continuam frequentando o Espinheiros, principalmente, atrás da gastronomia local e outras atrações do bairro.

O pessoal vêm para comer nos restaurantes, ter a visão da lagoa, do Barco Príncipe e outros barcos. No trapiche, o pessoal vêm pegar um peixinho e tomar um banho. Mas a gastronomia é o que realmente está atraindo.

Moradora do Vila Nova, Tatiana de Ávila, 40 anos, frequenta a região desde criança. Na semana passada, recebeu a visita da amiga Priscila Giacomini, 35 anos, que mora nos Estados Unidos há quatro anos. Foi a oportunidade de levá-la para almoçar no Espinheiros para matar a saudade da culinária local. – A gente sempre vem comer frutos do mar aqui quando têm vontade porque, apesar de também ter em outras regiões de Joinville, eu acho que aqui tem os melhores – explica.

O empresário Geovani Machado e a professora Gisa Croce sempre visitam a região com a filha Ana Luiza, principalmente para almoçar. Eles torcem para que haja mais investimentos e pedem vontade política para que a região se desenvolva ainda mais como ponto turístico. Gisa aponta que houve mudanças ao longo dos últimos anos, como o asfaltamento das ruas e a construção da Porta do Mar, mas defende que há algo que continua exatamente igual.

Fonte: A Notícia