Pesquisa da Abrasel e Fispal revela que as empresas do setor que estavam operando no vermelho caíram de 40% para 28%

Quando as contas apertam, muitos consumidores entendem que é hora de trocar a conveniência de alguns serviços pelo faça-você-mesmo para economizar. E um dos setores mais afetados por esse comportamento durante a crise econômica foi o de alimentação fora do lar, cujo número de empresas brasileiras operando com prejuízo chegou a quase 40% em 2016.

Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em parceria com a Fispal revela, no entanto, que o segmento vem desenhando uma trajetória de recuperação consistente. As empresas no vermelho caíram para 28%, no trimestre de abril a junho deste ano, na terceira queda consecutiva do indicador. Até dezembro, deve chegar a 20%.

Apesar de o estudo apresentar apenas o resultado nacional consolidado, o presidente da Abrasel-PE, André Araújo, assegura que as estatísticas brasileiras contaram com o desempenho positivo de Pernambuco. O Estado é o primeiro polo gastronômico do Norte-Nordeste, “perdendo no Brasil apenas para São Paulo”, disse. E completou: “A economia está se descolando das questões mais políticas”. Para Araújo, investidores e consumidores começaram a enxergar o cenário brasileiro no longo prazo, o que contribuiu para a melhora no humor dos negócios.

Tendências

Mas é essencial conseguir absorver novas tendências, quando elas se apresentam. A pesquisa da Abrasel revelou que, em dois anos, o número de restaurantes com delivery ativo quase dobrou e que 44% das casas que realizam entregas estrearam o serviço nos últimos 24 meses. Segundo Araújo, a crise fez cair o tíquete médio para consumo de alimentos fora de casa, deslocando novas faixas de clientes para o perfil do delivery, em que a disposição a gastar é mais baixa. Os estabelecimentos foram atrás desse público e, até junho, 46% dos restaurantes brasileiros já ofereciam o serviço. As ferramentas digitais, seja e-commerce próprio ou plataformas coletivas, desempenharam papel fundamental.

O estudo incluiu, ainda, novas variáveis à análise da conjuntura do segmento. Entrou em vigência lei que permite a diferenciação de preços segundo a forma de pagamento, mas 81% das empresas ainda não consideram aderir à prática. Outra lei, mais recente, regulamenta a utilização de gorjetas para pagamento de encargos trabalhistas, previdenciários e sociais. A expectativa é que empresas que trabalham com mão de obra mais qualificada comecem a sugerir uma taxa de serviço superior aos tradicionais 10%. Cerca de 2% dos restaurantes já o fazem.


Fonte: Folha de Pernambuco