Mais que desafio, soluções tecnológicas para cartões se tornam oportunidade num mercado agora em busca de competitividade

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Fazer pagamentos usando cartões é uma realidade cada vez mais presente em todo o mundo. A mecânica de inserir o cartão na maquininha, digitar a senha e depois concluir uma compra em apenas alguns segundos tem se tornado um hábito na rotina de milhões de brasileiros. De acordo com uma projeção da Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito (Abecs), compras com cartão de débito e crédito devem fechar 2017 com um crescimento 6,5% em relação ao ano anterior, movimentando uma cifra recorde de R$ 1,22 trilhão. E as novidades deste mercado, como pagamento por meio de gadgets, mostram que ainda há muito espaço para crescer.

O mercado de cartões passa por grandes transformações que podem impactar tanto o empresariado quanto o público final. “A evolução do e-commerce e o crescente uso de cartões têm democratizado o setor e permitido a entrada de mais players no mercado de meios de pagamento no Brasil”, diz Augusto Lins, diretor da Stone, empresa adquirente de cartões de crédito e débito, especializada em mobile.

O mercado, estimulado pelo Banco Central e - segundo Lins - ‘pressionado’ pelos consumidores cada vez mais ávidos por praticidade, segurança e transparência durante as transações, prepara novos métodos de pagamento que logo se tornarão tendência. De acordo com o diretor da Stone, a maior destas ondas de mudanças tem como marco a Circular 3.765 do Bacen (veja quadro), que instituiu novas regras que redefinem as condições de competição e de arranjos de pagamentos na indústria de cartões de crédito. A ideia é estimular a abertura do mercado brasileiro de cartões, ainda hoje dominado por dois grandes competidores: Cielo e Rede. “A verticalização da indústria de cartões reduz a concorrência e se traduz em tarifas elevadas para o empresário e o consumidor. Essa circular criou um novo marco regulatório de forte impacto em interoperabilidade, compensação e liquidação financeira dos pagamentos e nos arranjos de pagamentos abertos e fechados”, diz.

Tecnologia a favor

A tecnologia pode e deve ser usada para tornar o pagamento um ato mais natural, ao promover uma experiência simples, transparente e sem fricção, a chamada ‘uberização’ do pagamento, que tem uma contribuição significativa na fidelização do cliente. De nada adianta, por exemplo, um bar ou restaurante oferecer promoções e descontos para atrair novos clientes se na hora de fechar a conta a história é dolorosa ou burocrática. “A experiência de pagamento deve se tornar um diferencial competitivo”, defende Augusto Lins.

Segundo ele, a transição do dinheiro vivo para os vários tipos de moeda eletrônica é uma tendência natural e está relacionada à formalização dos negócios, em especial aos de alimentação fora do lar. “Em alguns países nórdicos esta mudança já está consumada, são cashless society. No Brasil, porém, o dinheiro vivo só agora começa a perder espaço, porque não é bom pra ninguém: é caro para o consumidor e para o empresário, pra todo mundo. Você corre o risco de ser roubado, tem sempre que ir ao banco e gasta muito tempo. Hoje há essa necessidade de mudar o hábito do consumidor, que preza bastante pela experiência. O pagamento pode ser feito via smartphones, relógios, pulseiras e até em anéis com dispositivos equivalentes aos cartões de plástico. É a internet das coisas, que permite que os objetos conversem entre si de maneira inteligente”, diz.

É neste sentido, o da inclusão digital, que caminha a Stone. Em março deste ano, durante o 11º Congresso de Meios de Pagamento, em São Paulo, a equipe da Stone criou em apenas 30 horas uma solução que beneficia a experiência do usuário em bares e restaurantes. Em um aplicativo, os clientes podem abrir o cardápio da casa no celular a partir de um QR Code localizado na mesa ou na entrada do estabelecimento. Os pedidos são feitos na palma da mão e carregados em um tablet no balcão. Por lá, o comerciante despacha os pedidos e pode ir alterando o status para que o cliente acompanhe. Ao fim, o cálculo da conta já está feito e é só solicitar o pagamento pelo próprio aplicativo, que já inclui a opção de “dividir a conta”, o que permite dividir as despesas diretamente com outros usuários também cadastrados no sistema.

Para Augusto Lins, o futuro, mais que digital, é inclusivo. “O cartão como hoje conhecemos não irá morrer porque tem um conceito muito forte. Ele é simples, fácil, barato e seguro. Mas andará lado a lado com novas tecnologias que também seguirão por este caminho. Todos nós só temos a ganhar”, finaliza.

Fonte: Revista Bares & Restaurantes, edição 116. Matéria disponível na íntegra na versão impressa. 
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