Após perder 80 kg de linguiça fresca e outros 80 kg de queijo, Roberta Sudbrack se manifestou nas redes sociais e avisou que iria encerrar sua operação no evento


No primeiro dia de Rock in Rio, Roberta Sudbrack não foi a única chef a sofrer com a fiscalização da Vigilância Sanitária. Vários restaurantes do Gourmet Square , espaço gastronômico do evento, tiveram comidas apreendidas, e muitos reclamaram do excesso de rigor do órgão. Dentre as irregularidades alegadas para inviabilizar alimentos estavam ausência de endereço de fábrica ou de informações sobre ingredientes nas embalagens.

Após perder 80 kg de linguiça fresca e outros 80 kg de queijo, Roberta Sudbrack se manifestou nas redes sociais e avisou que iria encerrar sua operação no evento. Segundo a Vigilância Sanitária, os técnicos encontraram alimentos que não possuíam registro para comercialização no município do Rio. O órgão afirmou que os 160 kg de comida foram "impedidos de serem comercializados", e mais 850 kg que estavam no estoque foram lacrados, enquanto se decide a sua destinação, que será avaliada pelo Ministério Público, ainda segundo a vigilância. O fato é que na noite desta sexta, após a fiscalização, foi vista uma grande porção de queijos e linguiça num conteiner da Comlurb, com detergente em cima, o que inviabilizaria os alimentos. Neste sábado, a reclamação entre os chefs da Gourmet Square era geral.


Na hamburgueria Ogro Jimmy, técnicos da Vigilância Sanitária jogaram 24 quilos de carne fora. Responsável pelo restaurante, Jimmy Mcmanis diz que a irregularidade seria a ausência de informações sobre ingredientes e receitas nas embalagens das carnes, na cozinha. O prejuízo calculado, diz, é de R$ 3.333 — R$ 1200 pela compra dos insumos e o resto do lucro perdido.

Outro estabelecimento que perdeu produtos foi o Sertanorte. Segundo Peter Leal, responsável pela operação, a vigilância observou a falta de endereço da fábrica do fornecedor do churros, na embalagem. Por isso, ele teve que retirar mil unidades. Ao menos, conseguiu evitar a apreensão. Mas não o prejuízo no Rock in Rio, calculado em R$7 mil. — Tive que comprar novos churros com outro fornecedor. Eu acho que tem que fiscalizar, claro, mas poderiam fazer de uma forma melhor. Falta transparência nas informações — afirma Leal.


Celso Fortes, do Açougue Vegano, não sofreu com apreensões, por não trabalhar com proteínas animais, mas também se preparou: contratou uma empresa para ajudar na adequação do restaurante para o evento, seguindo as exigências da Vigilância Sanitária. — As leis são muito antigas e confusas, por isso temos dificuldades. Interromperam minha operação por duas horas, entre as 18h e 20h — explica Fortes, que clama por "bom senso" nas fiscalizações. — Eu penso que se a comida está dentro da validade, não deveria ser jogada fora, porque tem muita gente passando fome no mundo. A fiscalização é importante, mas por que não fazem isso previamente?


Segundo A vigilância Sanitária, foram feitas três reuniões prévias com todos os fornecedores de alimentos, "em que foi apresentada a legislação aplicada durante os eventos de massa, inclusive sobre a certificação dos alimentos, e que tais questões seriam fiscalizadas durante o evento". O órgão ainda diz que entregou aos fornecedores uma nota de esclarecimento onde consta a referida legislação.

Fonte: O Globo