O retrato mundial do cenário gastronômico e as novas estratégias para bares e restaurantes pautaram palestra de Josimar Melo no Congresso Abrasel e Mesa ao Vivo Brasília

*Por Danilo Viegas

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Josimar Melo possui 30 anos de experiência como crítico gastronômico. Foto: Marcos César de Souza - aluno de Fotografia do IESB



Mal o público presente no auditório do Centro Universitário IESB se recompunha da palestra onde Robinson Shiba contava sua trajetória empresarial como fundador do China in Box, o crítico gastronômico Josimar Melo já capturava a atenção de todos para sua fala sobre novas tendências em restaurantes, na programação do 29º Congresso Abrasel/Mesa ao Vivo Brasília.


Formado majoritariamente de empresários do setor de alimentação fora do lar, era estratégico para a plateia ouvir o que um jornalista acostumado a resenhar pratos de renomados chefs tinha a dizer. E nesta questão Josimar Melo não decepcionou. Militante da gastronomia há 30 anos, ele traçou a evolução da gastronomia no mundo a partir do surgimento dos restaurantes.

“O ato de comer fora de casa por prazer, como um ato cultural, e não simples necessidade, surgiu na França pouco antes da Revolução Francesa”, afirmou. Lá nasceram as primeiras corporações de produtores: queijeiros, padeiros, açougueiros e os que vendiam temperos, cada um em seu próprio local. Quando a nobreza se tornou decadente, os profissionais da cozinha foram trabalhar para a burguesia, muitas vezes, nos mesmos palácios transformados em restaurantes que mais pareciam “teatros de luxo com atividade de prazer”.

Mercado nacional

Se no passado, o Brasil tinha pouca expressão no mundo gastronômico, essa ideia mudou. “Foi apenas nos últimos 15 anos que a cozinha brasileira passou a ser pensada verdadeiramente como gastronomia”, apontou o crítico, citando como desbravadores deste novo nível os chefs Alex Atala, Mara Salles e Helena Rizzo.

Sem entrar na esfera política, para Josimar, a demanda do público aconteceu durante os dois governos de Lula, quando a população alcançou economicamente um patamar mais alto e o poder de compra aumentou. “Surgiu aí a chamada Geração Iogurte, aquela que não se contentava em comprar apenas os alimentos básicos, como arroz e feijão, nos supermercados. queria experimentar algo novo e havia poderia financeiro para isso”, disse.

Para Josimar, o desafio atual é a conscientização dos agentes da gastronomia. “Chefs e restaurateurs precisam deixar de lado picuinhas, inveja e ciumeiras, e se unir em um movimento que crie mercado de bons produtos de qualidade e mais baratos”. O jornalista citou como exemplo Paris, distante 200 quilômetros do litoral, e com enorme oferta de frutos do mar. “São Paulo, que está apenas a 70 quilômetros de Santos, não tem peixe fresco nas feiras. Só a união da categoria poderá mudar o panorama da gastronomia, que é um dos aspectos de atração do turismo”, concluiu.

Congresso Nacional Abrasel

O Congresso da Abrasel, o maior encontro do setor de bares e restaurante do Brasil, começou em 15 de agosto e termina na noite desta quinta (17). A edição de número 29 tem como tema Conectar Pessoas, Saberes e Iniciativas. O evento é realizado pela própria Abrasel, pelo Centro Universitário IESB e pela revista Prazeres da Mesa, com patrocínio da Ambev, Ecolab, Getnet, Philip Morris Brasil, Sodexo e Souza Cruz. Conta também com a parceria da Vinum Brasilis, parceria de mídia do Correio Brazilienze e apoio da Fispal. A cobertura completa está no site do evento, com fotos e textos, confira!