23/06/2017 - Espaço dedicado à gastronomia mineira será inaugurado em Belo Horizonte

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A Mineiraria pretende incentivar toda a cadeia produtiva da gastronomia do estado

 

 

A terra do pão de queijo, doces de compota, cachaça e tropeiro vai ganhar mais força para a sua culinária, que promete ser alavanca para o desenvolvimento econômico e estímulo ao turismo no estado. A gastronomia de Minas Gerais, que é referência em todo o Brasil e até em outros países, terá espaço exclusivo em Belo Horizonte. Trata-se da Mineiraria, a casa da gastronomia mineira.

O espaço cultural, destinado à promoção do segmento, começa a funcionar até o final do ano, em casa tombada no Centro de Cultura Presidente Itamar Franco, no bairro Santo Agostinho. O complexo abriga atualmente a Orquestra Filarmônica, a rádio Inconfidência e a TV Rede Minas. A ideia é que a Mineiraria promova os produtos da culinária mineira, além de oficinas, eventos e intercâmbio entre chefs de todo o país.

A casa faz parte do programa +Gastronomia, lançado em maio pelo governo do estado em parceria com o Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas), a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas (Codemig) e outras entidades públicas e privadas. O programa visa incentivar, fomentar e valorizar toda a cadeia envolvida na produção: desde a agricultura familiar até o comércio. “A indústria, como conhecemos hoje, vai desaparecer dentro de pouco tempo, substituída por uma economia muito mais leve e dinâmica”, afirmou, na cerimônia de lançamento, o governador Fernando Pimentel. Ele lembrou que a culinária, além de ser um aspecto fundamental na sociedade mineira, é geradora de emprego e renda. “Vamos valorizar e mostrar a importância econômica da gastronomia, além da evidente importância cultural.”

O objetivo do Gastronomia é conectar todas as atividades do setor em um único discurso. “É a nossa principal vitrine. As pessoas reconhecem na comida mineira valor importante do estado”, afirma a primeira-dama, Carolina Oliveira Pimentel, presidente do Servas. Ela enfatiza que a culinária de Minas é reconhecida desde o couvert até a sobremesa e é a porta de entrada para muitos turistas. “Faz parte da hospitalidade mineira sentar-se à mesa e receber as pessoas com café e pão de queijo”, diz. E lembra que muita gente não volta sem levar para casa produtos como o queijo e a famosa goiabada cascão. “A ideia do programa é divulgar também os circuitos gastronômicos.”

A Mineiraria estará em ampla casa de 1,2 mil m2 e terá espaço para escola de gastronomia e mesmo um pequeno museu, reverenciando os quitutes mineiros. “Já temos muitas pessoas interessadas em doar rótulos de cachaça antigos e até fogões históricos”, afirma Carolina. Alguns produtos âncoras deverão ganhar espaço na casa, como o café, cachaça, queijos artesanais, doces de compotas e novidades que começam a ganhar espaço no estado, como azeite e vinho. O ambiente vai ter gestão pública e privada e todas as atividades serão definidas por um Grupo Gestor da Política e um Conselho Curador, presidido pela Codemig. Ambos terão diferentes integrantes da administração pública, bem como entidades representantes da cadeia produtiva do setor.

“Por meio do conselho vamos discutir a programação e os serviços e produtos que serão oferecidos”, afirma Fernanda Machado, diretora de fomento à indústria criativa da Codemig. A casa, de dois andares, diz, tem capacidade para receber eventos diferenciados. “Poucos lugares têm amplo espaço de visitação para se conhecer a história e os produtos da gastronomia”, completa.

A maior preocupação do governo é que a casa não se torne mais um restaurante e concorra com a iniciativa privada e mercados. No projeto, o Servas terá forte atuação na inclusão social. A entidade já conta hoje com o programa Cozinha Inteligente, que está em sua terceira edição. O curso, lançado em 2015, é focado no reaproveitamento de alimentos, mediante parceria com o Senac e o Sesc. As turmas são formadas com 25 alunos de baixa renda, que aprendem as funções de auxiliar de cozinha.

Apreciada por suas cores, sabores e aromas marcantes, a culinária mineira tem forte potencial para atrair novos negócios, empregos e turistas para o estado. Os ingredientes não faltam. Receitas preparadas de formas simples, como é o caso do pão de queijo e do queijo de minas, são conhecidas como “patrimônio cultural” de Minas Gerais. “Queremos que a Mineiraria seja um ambiente criativo e mostre a gastronomia das Minas e dos Gerais”, afirma Carolina. E que seja um tempero, é claro, no preparo de pratos nacionais e internacionais.

 

A gastronomia mineira em números:

Eventos gastronômicos anuais: 154

Roteiros estruturados nas regiões turísticas: 19

Cursos em funcionamento de nível tecnológico: 16

Produtores de queijo de minas artesanal: 254

Produtores de cachaça: 509

Marcas de cachaça: 1.020

Agricultores familiares: 390 mil

Negócios no setor de alimentação fora do lar: 105,6 mil

Participação das indústrias de alimentos e bebidas no PIB mineiro: 20%

Participação nas exportações do estado: 29%

 

Fonte: Portal Defender