09/06/2017 - Produção maior de alimentos reduz pressão de custos de bares e restaurantes

CLIPPING - NOTÍCIAS DOS PRINCIPAIS VEÍCULOS DO PAÍS

 

Abrasel aposta na retomada dos investimentos em feira de equipamentos voltados para o chamado food service

 

 

A menor pressão do clima e o aumento da produção de alimentos contribuíram para reduzir os custos de segmento de food service, o da alimentação fora de casa, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), que representa o setor.

De acordo com cálculos da entidade, ao longo de 2016, a cada 1% de reajuste nos preços do cardápio, o peso da cesta de alimentos usada nos estabelecimentos era de 70%. No atual momento, o peso dos alimentos está em 10% para cada 1% de aumento nos valores cobrados dos clientes.

“Há casos pontuais, mas hoje posso dizer que a preocupação com os preços de alimentos é praticamente zero pra nós. É um alívio enorme”, diz o presidente da entidade, Paulo Solmucci Junior. “A safra foi boa e o dólar ficou acomodado no final do ano passado aliviando esse custo”, acrescenta o executivo.

Solmucci avalia que o atual cenário ajudou a encerrar um ciclo de repasses de preços para o consumidor em níveis acima da inflação, que vinha ocorrendo há pelo menos dez anos. Especialmente nos últimos dois anos, pontua, esse ritmo foi ainda maior, com a alta de preços administrados, como a energia elétrica, que pressionou índices inflacionários.

Na visão da Abrasel, os últimos meses mostraram uma melhora na situação do setor. Pesquisa apresentada pela entidade nesta semana, com base em resultados trimestrais, mostrou dois períodos seguidos de cenário positivo para os bares e restaurantes.

Ainda há queda no faturamento, mas em ritmo menor. Enquanto 2016 terminou com uma redução de 3,93%, 2017 começou com retração de 1,84%. Até o final deste ano, a situação deve virar. Os empresários acreditam em crescimento real (acima da inflação) de 2,47% na receita.

Estabelecimentos que relatam prejuízos estão diminuindo. Do final de 2016 para o primeiro trimestre de 2017, passaram de 33% para 31%. Ainda é muito, considerando que o normal no setor é 5%. De outro lado, os que tiveram rentabilidade superior a 10% vêm aumentando. Há seis meses, estavam em 14%. No primeiro trimestre deste ano, chegaram a 18%.

“O setor costuma crescer mais que a economia em geral. A retomada é rápida. Se a economia crescer 0,5% ou 1%, o setor cresce 2%”, afirma o presidente da Abrasel.

 

Produtividade

A perspectiva de ganho do setor está em mudança, acrescenta Solmucci. O perfil da alimentação fora de casa mudou radicalmente nas últimas décadas. Se, antes, ir ao restaurante era lazer em família, especialmente as mais abastadas, hoje, para pelo menos 85% das pessoas, comer fora está ligado à rotina de trabalho.

Com a crise, a inflação e a alimentação pressionando mais o orçamento, a procura por comida mais barata levou a uma redução do tíquete médio e limitou repasses, diz ele. Assim, se a rentabilidade nos últimos anos esteve condicionada a preços, a saída agora é investir na produtividade, melhorando a eficiência nos processos.

É essa visão que sustenta as expectativas para a Fispal, feira realizada em São Paulo (SP) para mostrar as soluções para o setor de food service, que vai até esta sexta-feira (9/6). De acordo com os organizadores, são cerca de 1,5 mil expositores de produtos para bares, restaurantes, distribuidores, sorveterias e cafeterias.

O evento reúne desde fabricantes de equipamentos para uma grande cozinha industrial, até os de mesas e cadeiras para receber bem a clientela. “A Fispal deste ano está do mesmo tamanho que no ano passado e o setor está fazendo negócios”, garante a diretora de feira, Clélia Iwaki, sem informar uma expectativa de resultado para o evento.

Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, não acredita em retração. Mas reconhece que a instabilidade política atual trouxe um pouco mais de cautela para o empresariado, que vinha elevando o ritmo de investimentos.

“O segmento vem crescendo e o momento é de investimento. A incerteza existe, mas o pior passou”, reforça Heros Casagrande, executivo de vendas da Hergus, empresa sediada em Maringá (PR), com 35 anos no mercado de equipamentos para cozinhas e lojas de conveniência.

Mais cauteloso, Ricardo Hoffmann pontua que “havia uma melhora até a crise. A expectativa era de retomada mas deu um travada de novo”. Ele representa há 20 anos no Brasil a Zummo, uma empresa espanhola de processadores profissionais de frutas com atuação em 92 países.

Participante assíduo da Fispal, Hoffmann garante que a fabricante manteve preços e linhas de produtos. Mas, diante da incerteza, alguns clientes que até sinalizam uma intenção de investir acabam adiando compras.

 

Fonte: Globo Rural. Para ler a matéria na íntegra, acesse o site.