09/06/2017 - Setor de restaurantes prevê corte de pessoal e defende reforma

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Mesmo prevendo demissões, setor espera fechar o ano com maior rentabilidade financeira

 

 

O setor de alimentação fora do lar prevê terminar o ano com uma redução de 0,55% no total de funcionários. O ramo emprega hoje cerca de 6 milhões de trabalhadores. Entre os motivos que devem ocasionar a redução da mão-de-bra está a necessidade de cortar custos, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e da Fispal Food Service. “O quadro de pessoal encarece o preço final. É preciso capacitar mais os trabalhadores”, disse o presidente executivo da Abrasel, Paulo Solmucci.

Entre as empresas que participaram do levantamento, 40% afirmaram que houve redução de funcionários entre o primeiro trimestre de 2017 e o último trimestre de 2016. Outras 48% declararam estabilidade no quadro de pessoal.

Para a Abrasel, a aprovação da reforma trabalhista é uma necessidade. “Enquanto não aprovar, vamos continuar tendo preços caros e salários baixos e passar a vida inteira reclamando que produzimos menos e os serviços são burocráticos”, afirmou o presidente executivo da associação. “Será possível contratar mão-de-obra só quando precisar”.

 

Desempenho

O setor registrou o terceiro trimestre consecutivo com resultados positivos. “Há sinais de que o pior da crise passou”, afirmou Solmucci.

Outros fatores aumentam a perspectiva positiva para o setor. O número de empresas que declararam rentabilidade superior a 10% evoluiu desde as últimas edições do levantamento. No terceiro trimestre de 2016, o índice de companhias com boa saúde financeira beirava os 14%, agora esse número subiu para 18%.

“Isso demonstra uma melhoria constante das empresas. É muito bom o crescimento no número de empresas que conseguiram voltar à normalidade”, afirmou o presidente. Até o fim de 2017, a associação prevê que esse número esteja entre 20 e 25%.

Uma em cada quatro empresas declararam uma melhora na rentabilidade, quando comparado o primeiro trimestre de 2017 com os últimos três meses de 2016. Ainda assim, 31% das empresas afirmam operar com prejuízo neste trimestre. Entretanto, esse pode ser considerado um resultado positivo. Há três edições a pesquisa vem identificando redução no número de empresas no vermelho. No terceiro trimestre de 2016, 39% das empresas operavam com prejuízo, no quarto trimestre de 2016 o número passou para 31%. No final de 2017, 25% das companhias devem estar operando com prejuízos, segundo a pesquisa.

“O percentual de 39% é um absurdo em referência histórica. O resultado do primeiro trimestre de 2017 ainda é duro mas positivo”, disse Solmucci. Em épocas de normalidade econômica, de acordo com a associação, apenas 5% das empresas atuam no vermelho.

A redução no índice de queda do faturamento também contribuiu para o otimismo do setor. No quarto trimestre de 2016 houve uma queda de 3,93% nos ganhos das empresas. Nos primeiros três meses de 2017 esse percentual passou para 1,84%.

Na comparação do primeiro semestre de 2017 com o mesmo período do ano passado, 34% das empresas registraram melhora na receita. O número de empresas com queda no faturamento diminuiu, no final do ano passado 46% das empresas declararam faturamento menor do que em 2015. Neste ano, as empresas com faturamento menor, em comparação com o último trimestre de 2016, caiu para 37%.

Mesmo assim, os empresários não estão otimistas em relação ao crescimento real do faturamento para 2017, a previsão é de 2,47%. A associação prevê um crescimento de apenas 2%. Os empreendedores da região Sul são os mais positivos, eles esperam um crescimento de 4,15%, seguido pelos empresários do Nordeste, com expectativa de 3,95%. No Sudeste, a previsão é de -0,73%.

Para o contínuo crescimento do setor, a entidade defende mais investimentos em outras áreas. “Melhorar a segurança pública é importante por que as famílias têm medo de sair às ruas”, afirmou o presidente da Abrasel em São Paulo, Percival Maricato. Os preços altos também seriam outro fator que afasta os consumidores. “Temos que tentar conter os custos para não repassar ao consumidor”.

 

Fonte: Veja